Um ninho ativo da ave *Tangara peruviana*, popularmente conhecida como saíra-sapucaia e classificada como "criticamente em perigo" de extinção, foi descoberto no interior do estado de São Paulo. A descoberta, considerada rara, ocorreu durante atividades de monitoramento ambiental de rotina.
O achado foi registrado pela equipe de biólogos responsável pelo monitoramento da fauna na região. O ninho continha vários ovos de coloração azul, característica da espécie, e estava em perfeitas condições.
Espécie sob alto risco de desaparecimento
A *Tangara peruviana* (Desmarest, 1856) integra a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A classificação "criticamente em perigo" é o nível mais alto de risco antes da extinção na natureza.
A principal ameaça à espécie é a perda e fragmentação de seu habitat, decorrente do desmatamento e da expansão agrícola e urbana. A descoberta de um ninho ativo é um dado positivo para os esforços de conservação, indicando a presença de um ambiente ainda propício para sua reprodução.
Monitoramento e proteção do local
Após a identificação, a área exata do ninho foi mantida em sigilo pelas equipes ambientais para evitar qualquer perturbação ou ação de caçadores e colecionadores ilegais. O monitoramento da região foi intensificado para garantir a segurança do local durante o período de incubação dos ovos e desenvolvimento dos filhotes.
“Encontrar um ninho ativo de uma espécie com tão alto grau de ameaça é um evento significativo. Ele nos fornece informações valiosas sobre o ciclo reprodutivo e reforça a importância da preservação desses fragmentos de mata”, explicou um dos biólogos envolvidos na descoberta, que preferiu não ser identificado por questões de segurança da operação.
Contexto de conservação
A saíra-sapucaia é uma ave passeriforme da família Thraupidae, endêmica da Mata Atlântica. Sua população é estimada em menos de 250 indivíduos maduros na natureza, espalhados por poucos remanescentes florestais.
Programas de conservação *ex-situ*, como a criação em cativeiro em zoológicos e criadouros científicos credenciados, tentam garantir a sobrevivência genética da espécie. No entanto, a preservação de seu habitat natural é considerada pelos especialistas como a medida mais crucial para reverter o risco de extinção.
O próximo passo, segundo os responsáveis, é continuar o monitoramento remoto e discreto do ninho. A expectativa é que os ovos eclodam nas próximas semanas, contribuindo, mesmo que de forma modesta, para o aumento da população selvagem desta ave rara.