O governo dos Estados Unidos, através do Departamento de Saúde, emitiu novas diretrizes alimentares que recomendam o consumo de leite integral em vez de versões com baixo teor de gordura, como a desnatada. A mudança, promovida pelo secretário da Saúde Robert Kennedy Jr., é vista por críticos como uma medida política, mas as autoridades a posicionam como uma liberação para consumidores que se sentiam impedidos de escolher a opção com mais gordura.
As diretrizes alimentares federais servem de base para programas de alimentação pública, incluindo o Programa Nacional de Merenda Escolar, que anteriormente permitia apenas opções de leite com baixo teor de gordura. A alteração tem impacto direto nas refeições servidas a milhões de crianças nas escolas americanas.
Preferência de sabor supera debate sobre saúde
Longe de ser uma questão meramente nutricional, a polêmica revela um forte componente de preferência pessoal. Muitos consumidores rejeitam a nova recomendação não por questões de saúde, mas por considerarem o leite integral "grosso", "empelotado" e com um sabor que lembra produtos prestes a azedar. Em contraste, o leite com 1% de gordura é frequentemente descrito como "fresco", "bebível" e "refrescante".
O debate sobre os benefícios à saúde entre o leite integral e o com baixa gordura permanece ativo. Enquanto o leite integral contém mais gordura saturada, potencialmente negativa, ele também possui níveis mais altos de certas vitaminas e enzimas. "Não sou cientista aqui, pessoal! Não confiem em mim — façam sua própria pesquisa", brincou uma colunista ao abordar o tema, destacando a complexidade da discussão nutricional.
Autonomia do consumidor em foco
Críticos da nova diretriz questionam a premissa de que havia uma demanda reprimida por leite integral. "Simplesmente não acredito que existam multidões de adultos por aí que se sentiram forçados a engolir leite com 2% de gordura quando estavam morrendo de vontade de tomar leite integral", argumentou uma comentarista. "Você é um adulto! Compre o leite que você gosta!"
Apesar da mudança nas regras federais para merendas escolares, o impacto prático pode ser limitado. De acordo com relatos de pais, o leite com sabor de chocolate continua sendo a escolha predominante das crianças durante o almoço, independente do teor de gordura das opções brancas disponíveis.
Alguns pais aproveitaram a discussão para apontar problemas mais urgentes nos sistemas de alimentação escolar, como as estruturas abusivas de taxas em alguns sistemas digitais de pagamento de merenda. Em certos distritos, os provedores cobram uma taxa de até US$ 3,50 cada vez que os pais adicionam dinheiro à conta do filho, exigindo contas separadas para irmãos.