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Você já deve ter recebido uma ligação de um número desconhecido e recorrido ao Truecaller para saber quem era. O aplicativo, que se tornou uma ferramenta essencial no dia a dia de mais de 500 milhões de pessoas, está enfrentando a maior tempestade de sua história.

A empresa que um dia foi sinônimo de identificação de chamadas viu suas ações despencarem impressionantes 78% desde a abertura de capital, em 2021. E, neste ano, a queda já acumula 37%. O que está acontecendo com esse gigante da tecnologia?

O mercado que impulsionou o crescimento agora trava

A Índia sempre foi o motor do Truecaller. Com mais de 350 milhões de usuários, o país representa cerca de 70% da base global do aplicativo. Mas os ventos mudaram. Dados da Sensor Tower mostram que os downloads no país caíram 16% em 2025 na comparação com o ano anterior, enquanto os downloads globais recuaram 5%.

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É a primeira reversão após anos de crescimento ininterrupto. Os números da Appfigures são ainda mais reveladores: os downloads atingiram o pico de 175 milhões em 2021, despencaram em 2022 e agora patinam em torno de 120 milhões anuais.

Concorrência de peso: de teles a Apple e Google

O que explica essa desaceleração? A resposta está em uma concorrência que vem de todos os lados. Na Índia, as operadoras de telefonia estão implementando o CNAP (Calling Name Presentation), um sistema que exibe o nome do chamador com base nos dados cadastrais da linha, sem precisar de aplicativos de terceiros.

Enquanto isso, gigantes como Apple e Google incorporam cada vez mais recursos de identificação e bloqueio de spam diretamente em seus sistemas operacionais. A Apple, por exemplo, expandiu recentemente suas capacidades de triagem de chamadas, reduzindo a necessidade de apps externos entre os usuários de iPhone.

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O calcanhar de Aquiles: a publicidade

Se a concorrência já não bastasse, o principal modelo de negócio do Truecaller está sob fogo. Cerca de 65% a 70% da receita da empresa vem de anúncios. E, em agosto de 2025, a empresa perdeu cerca de um terço do tráfego de anúncios do seu maior parceiro, identificado por analistas como o Google.

O CEO Rishit Jhunjhunwala atribuiu a queda a um "problema de algoritmo" não resolvido, enquanto o CFO Odd Bolin revelou que o parceiro ainda responde por mais de um terço da receita total. A empresa agora corre para construir sua própria bolsa de anúncios e diversificar parceiros.

O lado positivo da história

Nem tudo são más notícias. Enquanto os downloads estagnam, a receita gerada por compras dentro do aplicativo disparou. Dados da Appfigures mostram que esse valor saltou de US$ 600 mil em 2017 para US$ 39,3 milhões em 2025. A receita mensal já ultrapassou a marca de US$ 2 milhões e continua subindo.

O segmento empresarial, Truecaller for Business, também cresce 39% em moeda constante em 2025. E a base de assinantes pagantes já ultrapassou 4 milhões globalmente, com usuários optando por recursos como proteção avançada contra spam e experiência sem anúncios.

O futuro: adaptação ou desaparecimento?

O CEO Jhunjhunwala insiste que o CNAP não é uma ameaça, mas sim uma validação do problema que o Truecaller resolve. "Operamos como uma plataforma global com uma camada de inteligência muito mais rica e dinâmica", afirmou ao TechCrunch.

A questão que fica é: em um mundo onde a identificação de chamadas está migrando para as operadoras e para o próprio sistema operacional do celular, o Truecaller conseguirá se reinventar a tempo? A resposta pode definir o futuro de uma das plataformas de comunicação mais utilizadas do planeta.