Publicidade

Você já imaginou entrar na faculdade e, antes mesmo de ter uma ideia original, receber centenas de milhares de dólares em “pré-ideia funding”? Pois é exatamente isso que acontece dentro de Stanford, segundo o jornalista Theo Baker.

Em seu livro How to Rule the World: An Education in Power at Stanford University, que acaba de ser pré-publicado no The Atlantic, Baker expõe um ecossistema onde venture capitalists “wine and dine” jovens de 18 anos, e a linha entre mentoria e predação é quase impossível de distinguir.

“Stanford é um incubadora com dormitórios”

A frase não é elogio. Ela vem de Steve Blank, professor do lendário curso de startups da universidade. E revela a realidade que Baker descreve: um ambiente onde a pressão para ser o próximo Mark Zuckerberg começa já no primeiro ano.

Publicidade

“Você entra nessa bolha no primeiro ano ou não entra”, diz um estudante a Baker. E quem está dentro vive um mundo à parte: jantares com bilionários, acordos de milhões e a expectativa de que o sucesso é inevitável.

O preço escondido do sucesso

Baker não fala apenas dos vencedores. Ele mostra o custo humano. Um amigo que largou a faculdade para fundar uma startup — hoje milionário — não vê a família, nunca namorou e está “atrasado na própria vida”.

“100% dos empreendedores se acham visionários. Os dados mostram que 99% não são”, alerta Blank. E o que acontece com os 99% aos 30 ou 40 anos? Silicon Valley não está preparada para responder.

Publicidade

O paradoxo do livro

Baker ganhou um prêmio Polk por seu jornalismo estudantil. Seu livro já foi opcionado para filme. Mas há uma ironia: a mesma elite que ele critica pode usar a obra como mais uma prova de que Stanford produz não só fundadores e fraudadores, mas também escritores importantes.

A pergunta que fica: um livro como este pode realmente mudar algo? Ou, como “A Rede Social”, servirá apenas para glamorizar ainda mais o que tenta denunciar?

O tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a performance da ambição e a coisa real são cada vez mais difíceis de distinguir — e o sistema que deveria encontrar gênios está ótimo em encontrar pessoas que parecem gênios.