O verdadeiro motivo por trás da operação que indiciou um deputado por fraudes em castrações de animais</title>

O verdadeiro motivo por trás da operação que indiciou um deputado por fraudes em castrações de animais</title>

PF descobre esquema milionário: empresa criada em 2021 já fechava contratos de R$ 8,3 milhões sem ter estrutura.</summary>

Redação
Redação

12 de maio de 2026

Você já imaginou confiar a castração do seu pet a um programa do governo e, no fim, descobrir que tudo não passava de uma farsa para desviar dinheiro público? Pois é exatamente isso que a Polícia Federal está investigando.

Na manhã desta terça-feira (12), agentes da PF bateram à porta de um deputado federal com uma suspeita chocante: ele teria usado a secretaria de Agricultura do Rio para favorecer uma empresa de castração animal — que mal existia no papel. O resultado? Contratos de mais de R$ 8,3 milhões em apenas quatro meses.

O alvo: um deputado que se dizia defensor dos animais

O principal nome da Operação Castratio é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ). Ex-secretário estadual de Agricultura, ele construiu toda a sua carreira política em cima da bandeira da proteção animal. Chegou a apresentar o programa RJPet como "o maior programa de castração animal do mundo". Agora, a suspeita é de que ele tenha usado justamente essa pauta para lucrar.

Segundo a PF, entre outubro de 2019 e março de 2022 — período em que Queiroz comandava a Seappa —, as licitações foram direcionadas para beneficiar a empresa Consuvet. O detalhe mais surreal? A empresa foi criada em julho de 2021 e, em menos de quatro meses, já assinava contratos milionários com o governo.

Mas como uma companhia tão nova conseguiu vencer licitações sem ter a melhor proposta? A resposta pode estar em documentos forjados.

Documentos falsos e contratos de locação inventados

Os investigadores descobriram que a Consuvet apresentou contratos de locação supostamente fraudulentos para comprovar capacidade técnica. O problema? Os documentos eram datados de 2020 — antes mesmo da empresa existir legalmente. É como se alguém tentasse provar que tinha experiência antes de nascer.

Em um dos contratos analisados, a Consuvet ofereceu apenas a quarta melhor proposta financeira, mas mesmo assim foi escolhida pela secretaria. A justificativa? "Experiência prévia em serviços semelhantes". Uma experiência que, pelos indícios, nunca existiu.

E não para por aí. O ex-diretor-geral de Administração e Finanças da Seappa, Antônio Emílio Santos, é apontado como figura central do esquema. Segundo a PF, ele teria autorizado os contratos e, depois, se tornou sócio da própria empresa beneficiada pelas licitações. Um verdadeiro "autobenefício" que desafia a lógica.

Patrimônio do deputado cresceu 665% em dois anos

Se você acha que o dinheiro dos contratos sumiu, os números contam outra história. Entre as eleições de 2022 e 2024, Marcelo Queiroz viu seu patrimônio declarado disparar 665%, saltando para R$ 7,6 milhões em bens. A PF ressalta que parte desse aumento pode vir de uma herança deixada pelo pai do parlamentar, falecido em 2023, mas as movimentações financeiras chamaram atenção.

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, menciona "múltiplos indicativos" de irregularidades e destaca saques frequentes em dinheiro vivo, de forma fracionada. Para a PF, isso pode indicar uma tentativa de ocultar a origem dos recursos — ou, em outras palavras, lavar dinheiro.

O celular que não foi entregue e a companheira do deputado

A operação também teve como alvo Anna Caroline Vianna Dupret dos Santos, companheira de Marcelo Queiroz. Ela é suspeita de dificultar as investigações ao não entregar um celular considerado relevante para o caso durante uma operação anterior. O aparelho do deputado foi apreendido, assim como dinheiro em espécie, veículos e outros dispositivos eletrônicos que passarão por perícia.

Os investigadores apuram ainda a atuação da então subsecretária de Proteção e Bem-Estar Animal, Camila Costa da Silva, descrita como "pessoa de confiança" de Queiroz. Segundo a PF, ela teria atuado para facilitar e direcionar as licitações em favor da Consuvet.

O que acontece agora?

A PF cumpre 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os crimes investigados são graves: corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O deputado Marcelo Queiroz ainda não se manifestou publicamente.

Para você, que confia em programas de castração animal e no trabalho de políticos que prometem proteger os bichinhos, fica a pergunta: até onde vai a linha entre a defesa dos animais e o uso dessa causa para encher os próprios bolsos? A investigação promete revelar mais detalhes nos próximos dias. E, se depender da PF, o fim dessa história pode ser bem diferente do que muitos imaginavam.

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