O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), é alvo de uma operação da Polícia Federal que encontrou R$ 430 mil em espécie em seu apartamento em Brasília nesta sexta-feira (19). A ação de busca e apreensão foi autorizada pela Justiça Federal, a mesma instância frequentemente criticada pelo parlamentar por suposta perseguição política.
A apreensão ocorre em meio a investigações sobre desvios de recursos da cota parlamentar. Segundo a PF, Sóstenes e outro deputado da legenda, Carlos Jordy (RJ), "teriam desviado recursos de cota parlamentar, em benefício próprio, mediante os servidores comissionados no exercício das funções".
Justificativa e paralelos com caso anterior
O parlamentar afirmou que o montante em dinheiro vivo é resultado da venda de um imóvel. A mesma explicação foi utilizada anteriormente pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência pelo PL, para justificar movimentações financeiras que envolveram a compra de dois apartamentos em Copacabana.
Na ocasião, uma investigação apontou que o senador e sua família pagaram um valor adicional de R$ 638 mil em dinheiro vivo pelos imóveis, em transações descritas como parte de uma "intensa atividade imobiliária".
Investigação aponta para empresa de fachada
As suspeitas sobre Sóstenes Cavalcante têm origem em uma investigação sobre a locadora de veículos Harue Locação de Veículos. De acordo com os investigadores, a empresa, que possui apenas cinco veículos em sua frota, seria uma locadora de fachada utilizada para lavar dinheiro.
A operação que atingiu o líder do PL ocorre um dia após a PF localizar uma anotação suspeita em uma planilha de Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". A anotação mencionava um possível repasse de R$ 50 mil para Adroaldo Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência.
Contexto político e próximos passos
Adroaldo Portal foi exonerado após a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema criminoso de descontos irregulares em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. Ele teve a prisão domiciliar decretada na quinta-feira (18).
O caso coloca o PL, partido que se preparava para um embate político com o governo, em uma posição delicada no debate sobre combate à corrupção. Enquanto isso, Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, figuras conhecidas por discursos agressivos contra o Supremo Tribunal Federal (STF), agora precisam explicar a posse de grandes quantias em cédulas na era das transações digitais.