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O aquário Mundo Marino, localizado na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, anunciou no domingo (14) a morte da orca Kshamenk. O animal, um macho de 33 anos, faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória enquanto estava sob cuidados de veterinários e tratadores, segundo comunicado oficial da instituição.

Kshamenk era considerado um dos animais mais conhecidos do parque e seu caso era amplamente utilizado por organizações de defesa dos direitos animais como símbolo da luta contra o cativeiro de grandes cetáceos. A principal hipótese para a morte, conforme o aquário, é a idade avançada do animal.

História de resgate e controvérsias

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O macho chegou ao Mundo Marino ainda filhote, no início da década de 1990. A versão oficial do parque afirma que ele foi encontrado por pescadores na região de San Clemente del Tuyú, junto de outras três orcas. Após tentativas de reintegração ao oceano, que teriam falhado, e consultas com autoridades, decidiu-se por mantê-lo em cativeiro.

O site do aquário mantém um acervo com registros do resgate, fotos, vídeos e documentos sobre o acompanhamento veterinário, material usado pela instituição para rebater críticas. Entidades como a PETA e o The Whale Sanctuary Project, no entanto, contestam há décadas as circunstâncias do resgate e as condições de vida do animal.

Vida solitária e pressão por transferência

Nos primeiros anos, Kshamenk não viveu sozinho. Ele dividiu o espaço com a orca Belén, que também teria sido resgatada. Em 2000, após Belén morrer durante uma gestação, Kshamenk passou a viver isolado, completando cerca de 25 anos sem a companhia de outra orca.

Organizações ambientalistas pressionaram por anos pela transferência do animal para um santuário marinho, argumentando que orcas são animais altamente sociais e inteligentes, cujas necessidades são incompatíveis com o confinamento. O Mundo Marino sustentava que não havia local adequado e que a remoção representaria um risco à vida de Kshamenk.

Fim de um capítulo e debate ético

O The Whale Sanctuary Project também alega que houve coleta de sêmen de Kshamenk, usado posteriormente em programas de inseminação artificial de orcas em cativeiro nos Estados Unidos. O aquário classificava as apresentações públicas do animal como atividades educativas.

Com a morte de Kshamenk, encerra-se a história da última orca mantida em cativeiro na Argentina. O caso gerou debates internacionais prolongados sobre bem-estar animal, conservação e os limites éticos da manutenção de espécies marinhas em parques.