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Pilotos de caça espanhóis destacados para a OTAN na Lituânia têm um prazo máximo de 15 minutos para decolar assim que um alerta de reação rápida, conhecido como "scramble", é ativado. A missão, geralmente acionada por aeronaves não identificadas ou que violam regulamentos internacionais, ocorre na base aérea de Šiauliai, considerada uma das linhas de frente da aliança no flanco leste.

O Comando Aéreo da OTAN registrou mais de 500 decolagens de reação rápida no espaço aéreo aliado no ano passado, muitas delas para interceptar aeronaves militares russas sobre o Mar Báltico. A missão de Policiamento Aéreo do Báltico foi lançada em 2004, após a adesão da Lituânia, Letônia e Estônia à aliança.

Procedimento de Alerta Alpha

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Quando centros de controle que monitoram o espaço aéreo 24 horas por dia detectam uma trilha de radar não identificada, a informação é repassada para um dos centros combinados de operações aéreas da OTAN. Se os comandantes decidirem lançar um "scramble alpha", os pilotos recebem a ordem de decolagem e devem estar no ar dentro do quarto de hora. Normalmente, a tarefa é concluída bem antes do prazo.

"Você não tem tempo para pensar no que está acontecendo. Só pensa em se vestir e correr para o avião", disse o tenente Jesus Ortín, um dos pilotos espanhóis de EF-18, em entrevista à Business Insider. O alerta pode soar a qualquer momento, mantendo pilotos e equipes de apoio em prontidão constante, mesmo durante períodos de descanso.

Contexto de Tensão Crescente

A missão ganhou um novo senso de urgência desde setembro do ano passado, quando dezenas de drones russos e até aeronaves tripuladas violaram o espaço aéreo da OTAN em múltiplas ocasiões. Oficiais ocidentais alertaram na época que Moscou estava testando a aliança e sondando sua resposta.

Em resposta, a OTAN lançou a operação "Eastern Sentry" e, nas semanas seguintes, enviou ativos adicionais – incluindo caças, aeronaves de apoio e sistemas de defesa aérea – para a borda leste da aliança. A Espanha contribui com a 15ª Ala, que chegou no início de dezembro com mais de 200 militares e 11 caças EF-18M, versões atualizadas do F/A-18 Hornet fabricado nos EUA.

Interceptações no Mar Báltico

Para missões de identificação e interceptação, os caças da OTAN – regularmente enviados em pares ou quartetos – voam ao lado da aeronave suspeita até que ela se afaste para o espaço aéreo internacional. As interceptações comumente ocorrem sobre o Mar Báltico, uma rota movimentada que liga a Rússia continental ao seu exclave fortemente militarizado de Kaliningrado, situado entre a Polônia e a Lituânia.

O tenente-coronel Fernando Allen, comandante do destacamento espanhol, afirmou que sua equipe está na Lituânia "para tornar os céus seguros para nações parceiras e aliadas". Ele disse que houve muitos "scrambles" em dezembro, mas o início de 2026 tem sido relativamente tranquilo.

Preparação e Rotatividade

Apesar de a Espanha enfrentar um panorama de ameaça muito diferente dos estados bálticos, seus pilotos ainda treinam para decolagens de emergência como outros membros da OTAN. O aspecto rotativo da missão de policiamento aéreo garante que militares de toda a aliança contribuam para a segurança europeia. A 15ª Ala será substituída por destacamentos da Romênia e da França em março.

"Estamos orgulhosos de estar aqui, e é uma honra ajudar nossos países aliados parceiros", afirmou Allen. "Sei que estamos mais a leste, mas estamos fazendo a mesma missão que realizávamos em nosso próprio país."