O tenente-coronel Fernando Allen, comandante de uma ala da Força Aérea Espanhola destacada na Lituânia, defende que o caça EF-18 é o ativo ideal para as missões de policiamento aéreo da OTAN. Com mais de 1.000 horas de voo na aeronave, Allen descreveu o jato como "a melhor máquina já feita" para interceptar tanto jatos rápidos quanto drones de voo lento.
A 15ª Ala da Espanha está em rotação de quatro meses na Base Aérea de Šiauliai, na Lituânia, desde o início de dezembro. A missão integra a operação de Policiamento Aéreo do Báltico da OTAN, que protege o espaço aéreo da Lituânia, Letônia e Estônia. A detecção de aeronaves russas que não seguem protocolos de tráfego no Mar Báltico é um dos principais motivos para os chamados "scrambles" - decolagens de emergência.
Em 2023, o Comando Aéreo da OTAN registrou mais de 500 decolagens de emergência em todo o espaço aéreo aliado. A detecção espanhola chegou à Lituânia com 11 caças EF-18M, versões modernizadas do F/A-18 Hornet, originalmente desenvolvido pela McDonnell Douglas (posteriormente incorporada pela Boeing).
Uma Máquina Comprovada e Modernizada
O F/A-18, um caça de quarta geração que voou pela primeira vez no final dos anos 1970, tem extensa experiência de combate no Oriente Médio e no sudeste da Europa. A Espanha opera uma versão especializada, o EF-18 (onde "E" significa España). Embora a estrutura da aeronave seja fabricada nos EUA, a Espanha foi responsável por décadas de atualizações e modificações, modernizando principalmente o software.
"O exterior pode parecer o mesmo dos jatos operados pela Finlândia ou Canadá, mas o interior é completamente diferente, com 'toda a tecnologia mais recente'", afirmou o tenente-coronel Allen. O piloto destacou a facilidade de pilotagem, mas ressaltou que "a parte mais difícil é gerenciar tudo o que você tem dentro" do cockpit.
Armamento e Capacidade para Novas Ameaças
Quando os EF-18s em Šiauliai são acionados, geralmente é para interceptar aeronaves não identificadas ou que violam regras internacionais. Os caças estão armados com um canhão M61A1 Vulcan de 20mm e podem ser equipados com mísseis ar-ar de curto alcance IRIS-T e de médio alcance AIM-120.
A utilidade desse armamento foi evidenciada em setembro, quando caças da OTAN abateram drones russos que adentraram o espaço aéreo polonês durante um ataque à Ucrânia. O incidente gerou discussões sobre formas mais eficientes de combater drones baratos sem depender apenas de mísseis caros.
Allen elogiou a capacidade do EF-18 de voar em velocidades muito baixas, uma característica crucial para interceptar drones ou pequenas aeronaves. "Para nós, interceptar drones ou pequenas aeronaves não é fácil, mas é mais fácil para nós do que para qualquer outra aeronave", disse.
Preferência dos Pilotos e Futuro da Frota
A preferência pelo EF-18 é compartilhada por outros pilotos da unidade. O tenente Arturo Guitán afirmou preferir o caça espanhol ao mais tecnologicamente avançado Eurofighter Typhoon, de quarta geração e desenvolvido por um consórcio europeu. "Nós o amamos", disse Guitán sobre o EF-18, acrescentando que o caça é capaz de cumprir todos os requisitos da missão.
Os países contribuem para a missão do Báltico em rotações de quatro meses. A ala espanhola será substituída em março por forças da Romênia e da França. "Estamos honrados em estar aqui e muito orgulhosos de fazer parte deste tipo de missão", disse o tenente Jesus Ortín, outro piloto de EF-18. "É uma missão em tempo de paz, então somos altamente treinados para isso."
Apesar do elogio unânime dos pilotos, a Espanha vem gradualmente substituindo sua frota de EF-18s por dezenas de novos caças Eurofighter. O país também optou por não adquirir o caça furtivo de quinta geração F-35 Lightning II, da americana Lockheed Martin, mantendo-se com uma aeronave europeia.