Uma expedição científica no Oceano Pacífico registrou imagens raras do polvo de cristal (*Vitreledonella richardi*), considerado um dos cefalópodes mais misteriosos do planeta. O animal quase transparente foi filmado em seu habitat natural, em profundidades entre 200 e 1.000 metros, onde a luz solar praticamente não chega.
O registro foi feito por pesquisadores a bordo do navio de pesquisa Falkor, operado pelo Schmidt Ocean Institute. As imagens, capturadas por um veículo operado remotamente (ROV), mostram o polvo com seus órgãos internos visíveis através do corpo gelatinoso, além de seus olhos cilíndricos e peculiares.
Uma vida nas profundezas
O polvo de cristal é tão raramente visto que a maior parte do conhecimento sobre ele vem de espécimes encontrados mortos no trato digestivo de predadores. "Ver este animal em seu ambiente natural é excepcional. Ele é quase como um fantasma nas profundezas", afirmou uma bióloga marinha do instituto.
A transparência do animal é uma forma de camuflagem em um ambiente onde se esconder é quase impossível. Em vez de se misturar ao fundo do mar, o polvo torna-se quase invisível para predadores e presas ao permitir a passagem da luz através de seu corpo.
Desafios para o estudo
Estudar criaturas que vivem na zona mesopelágica, conhecida como "zona do crepúsculo", apresenta enormes desafios logísticos e tecnológicos. A pressão é extrema e a escuridão é quase total, exigindo equipamentos submarinos especializados e iluminação cuidadosa para não perturbar a fauna.
Além da transparência, os cientistas observaram outros traços adaptativos. Os olhos do polvo de cristal evoluíram para uma forma cilíndrica, uma provável adaptação para minimizar sua silhueta e mantê-lo discreto na coluna de água.
Importância da descoberta
O registro inédito fornece dados valiosos sobre o comportamento, locomoção e interação deste cefalópode com seu ambiente. As imagens ajudarão os cientistas a entender melhor a biodiversidade das profundezas oceânicas, um dos ecossistemas menos explorados da Terra.
Expedições como esta são cruciais para a conservação marinha, já que muitas espécies de águas profundas podem ser impactadas por atividades humanas, como a mineração no leito oceânico e as mudanças climáticas, antes mesmo de serem propriamente conhecidas pela ciência.