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O presidente da Apollo Global Management, Jim Zelter, alertou que o boom de investimentos em inteligência artificial pode não gerar os retornos esperados para os investidores. Em entrevista ao podcast "Exchanges" do Goldman Sachs, divulgada nesta quinta-feira, o executivo comparou o fenômeno a ciclos tecnológicos anteriores e questionou quem realmente lucrará com os trilhões aplicados.

Zelter estimou que apenas os data centers nos Estados Unidos podem exigir entre US$ 5 trilhões e US$ 6 trilhões em investimentos nos próximos cinco anos. "Há um ciclo massivo de capex (gastos de capital) em andamento que está transformando um negócio de baixo ativo em um de alto ativo", afirmou.

Ceticismo entre grandes investidores

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O alerta de Zelter surge em meio a um debate crescente sobre possível exagero no entusiasmo com a IA. Outros nomes de peso do mercado financeiro também expressaram cautela. Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital Management, disse em dezembro que muitos investidores têm uma "mentalidade de bilhete de loteria" em relação à tecnologia.

Em fevereiro, o veterano trader e economista Steve Hanke afirmou ao Business Insider que a IA está "superestimada e potencialmente perigosa". Uma pesquisa recente da KPMG nos EUA revelou que três quartos dos CEOs de grandes empresas consideram que a IA generativa pode ter sido supervalorizada no último ano.

Disciplina na alocação de capital

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Zelter enfatizou que, para a Apollo, a onda de gastos representa uma oportunidade de financiamento, mas que exige disciplina. "Só porque as empresas precisam de capital, não significa que todas sejam ótimos investimentos", declarou.

O presidente da Apollo destacou que investidores não devem tratar riscos semelhantes aos de ações como se fossem exposição segura de renda fixa. Ele afirmou que investimentos de maior risco precisam ser compensados de acordo, enquanto os credores devem garantir proteções sólidas contra perdas.

Investimento continua apesar das dúvidas

Apesar do ceticismo, as empresas seguem alocando recursos vultosos. Quase 80% dos CEOs entrevistados pela KPMG disseram que planejam destinar pelo menos 5% de seu capital para IA neste ano. Muitos executivos reconhecem que, embora o hype de curto prazo possa ser excessivo, o potencial disruptivo de longo prazo da tecnologia ainda é subestimado.

Zelter reconheceu a utilidade da tecnologia, citando exemplos históricos como os celulares, mas manteve o foco na questão central: "Mas o dono econômico vai colher os retornos certos para esse investimento?". A resposta, segundo sua análise, ainda está em aberto.