Redução da maioridade penal: por que a ideia que parece solução pode ser um desastre

Redução da maioridade penal: por que a ideia que parece solução pode ser um desastre

Dados inéditos mostram que jovens se recuperam muito mais em unidades socioeducativas do que adultos em prisões

Você já parou para pensar no que realmente acontece quando um adolescente comete um crime grave? A primeira reação de muitos é clamar por punição mais dura. Mas e se a solução que parece tão óbvia para alguns, na verdade, só piorasse tudo?

Enquanto o Congresso Nacional reapresenta projetos para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, uma análise profunda dos números oficiais revela um cenário completamente diferente do que os discursos políticos fazem parecer. Os dados mostram que o sistema socioeducativo recupera o dobro de jovens do que as prisões recuperam adultos.

O dado que derruba o argumento principal

Em São Paulo, a Fundação Casa registrou que a taxa de reincidência entre adolescentes internados é de apenas 20%. Agora, segure essa informação: no sistema prisional do mesmo estado, a reincidência entre adultos chega a 41%, segundo dados do Depen de 2022.

Isso significa uma coisa chocante: mandar um jovem para uma unidade de internação tem o dobro de chance de recuperá-lo do que enviá-lo para uma prisão comum. O sistema socioeducativo, com escolas, atendimento psicológico e cursos profissionalizantes, funciona melhor do que as cadeias superlotadas dominadas pelo crime organizado.

O que acontece dentro das unidades de internação

Nas unidades da Fundação Casa, os adolescentes têm acesso a educação formal, saúde, atividades culturais e esportivas, além de acompanhamento social e psicológico. É uma estrutura pensada para reeducar, não apenas para punir.

Já nas prisões para adultos, a realidade é outra: superlotação, falta de assistência básica e domínio de facções criminosas. Jogar um adolescente nesse ambiente é praticamente matriculá-lo em uma universidade do crime. Como defende o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em Direitos Humanos, eles sairiam "muito mais violentos, formados e engajados na criminalidade".

O tamanho real do problema

Outro fato que surpreende: o último levantamento do CNJ, de 2025, aponta que apenas 12 mil adolescentes cumprem medidas socioeducativas em regime de internação em todo o Brasil. Isso representa menos de 1% dos 28 milhões de jovens entre 12 e 18 anos no país.

Há dez anos, esse número era o dobro. A criminalidade juvenil vem caindo, não aumentando. Enquanto isso, os verdadeiros algozes das crianças e adolescentes brasileiros são outros: a cada dia, 150 estupros de vulneráveis são registrados e cerca de 14 jovens são assassinados.

Uma pergunta que incomoda

Se o sistema socioeducativo já recupera mais que o dobro de pessoas do que as prisões, por que a solução apresentada é justamente a que pune mais e recupera menos?

A resposta, segundo especialistas, está no calendário eleitoral. Propostas como a redução da maioridade penal ressurgem em épocas de eleição como uma falsa promessa de solução mágica para a violência. Mas, como já alertava o filósofo Pitágoras: "Educai as crianças e não será necessário punir os adultos". No Brasil, onde as prisões se tornaram verdadeiras universidades do crime sob autogestão de facções, a escolha parece ser clara: investir em recuperação ou condenar ainda mais jovens à irrecuperabilidade.

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há 5 minutos

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