Ricardo Lewandowski anuncia saída do Ministério da Justiça para Lula
Ex-ministro do STF cita esgotamento e desejo de passar mais tempo com a família como motivos para deixar o cargo.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que deixará o cargo nesta sexta-feira (9). A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo. O anúncio ocorreu em uma conversa privada antes da cerimônia que marcou os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024, substituindo Flávio Dino, após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano anterior. Ele integrava o núcleo central do ministério, que também deve ser desfeito com a saída dos secretários Manoel Carlos de Almeida Neto e Mário Sarrubbo.
Motivação pessoal e desgastes políticos
Em sua conversa com o presidente Lula, Lewandowski apresentou motivos pessoais para a decisão. O ex-ministro citou esgotamento após enfrentar desgastes em disputas legislativas complexas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção. Outro fator determinante foi o desejo de passar mais tempo com a família.
O Portal iG tentou contato com o Ministério da Justiça por telefone e e-mail para obter um posicionamento oficial, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Trajetória na magistratura e no STF
Antes de assumir o Ministério da Justiça, a carreira de Lewandowski foi marcada por passagens por tribunais de São Paulo e pelo ápice no STF. Ele atuou como juiz no Tribunal de Alçada Criminal de SP e como desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
No Supremo, onde foi ministro de 2006 a 2023, Lewandowski presidiu a Corte entre 2014 e 2016. Também comandou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sua atuação incluiu a revisão de processos do mensalão e a presidência do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).
Transição e futuro da pasta
O governo federal deve anunciar um novo nome para o comando do Ministério da Justiça ainda no primeiro semestre de 2025. A saída de Lewandowski ocorre em um momento de debates sobre políticas de segurança pública e ocorre pouco mais de um ano após sua posse.
A transição coincide com a data simbólica de 8 de janeiro, reforçando o contexto de defesa das instituições democráticas que marcou o discurso do governo durante a cerimônia comemorativa.
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