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A startup londrina Tem anunciou nesta segunda-feira (10) uma rodada de investimento de US$ 75 milhões (aproximadamente R$ 375 milhões) para expandir sua plataforma que usa inteligência artificial (IA) para transformar a compra e venda de eletricidade. A empresa, que já atende mais de 2.600 clientes comerciais no Reino Unido, promete reduzir contas de energia em até 30% ao eliminar intermediários do mercado tradicional.

A rodada Série B foi liderada pelo fundo de venture capital Lightspeed Venture Partners e contou com a participação de investidores como AlbionVC, Allianz, Atomico, Hitachi Ventures, Revent, Schroders Capital e Voyager Ventures. A operação valoriza a Tem em mais de US$ 300 milhões, segundo fonte familiarizada com o negócio que falou sob condição de anonimidade.

Dois negócios em um: motor de transações e "neo-utility"

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A Tem opera com dois modelos de negócio interligados. O primeiro, chamado Rosso, é um motor de transações que usa algoritmos de machine learning e modelos de linguagem (LLMs) para prever oferta e demanda, conectando diretamente geradores de energia – com foco inicial em fontes renováveis – a consumidores. O objetivo é reduzir custos ao substituir várias camadas de intermediários humanos.

"Em cada uma delas, você tem diferentes equipes fazendo trabalhos diferentes, tirando diferentes níveis de lucro, desde o back office até as mesas de trading, e provavelmente cinco ou seis intermediários no total que permitem o fluxo de dinheiro passar de um lado para o outro", explicou Joe McDonald, cofundador e CEO da Tem, em entrevista exclusiva ao TechCrunch. Com a IA, disse ele, "agora você tem a oportunidade de substituir os humanos, os custos de mão de obra e os sistemas distintos por uma única infraestrutura de transação".

Expansão internacional e planos de abertura da plataforma

Os novos recursos serão usados para financiar a expansão da empresa para a Austrália e os Estados Unidos, começando pelo estado do Texas. Atualmente, a outra parte do negócio, a RED, atua como uma "neo-utility" que utiliza exclusivamente a plataforma Rosso para vender energia a clientes finais e validar o modelo.

McDonald afirmou que, inicialmente, a empresa tentou vender a infraestrutura Rosso para outras companhias de energia, mas não obteve sucesso. O crescimento da RED fez com que a prioridade fosse mantê-la como cliente único por ora. No longo prazo, no entanto, a estratégia é abrir a plataforma para outras utilities. "Na realidade, não importa o quão boa [a RED] seja; ela não vai ultrapassar 40% de participação de mercado. E não deveria, porque isso se tornaria um monopólio", ponderou o CEO.

"A longo prazo, realmente não nos importamos quem é o dono do cliente, quem é o dono da geração, contanto que nossa infraestrutura esteja sendo usada", completou McDonald, comparando o modelo a gigantes de infraestrutura como AWS (Amazon Web Services) e Stripe.

Clientes e contexto de mercado

Entre os clientes da Tem estão grandes empresas como o grupo de varejo de moda rápida Boohoo Group, a fabricante de refrigerantes Fever-Tree e o clube de futebol Newcastle United FC. O anúncio ocorre em um momento em que a demanda por energia de data centers de IA tem pressionado os preços da eletricidade em vários mercados.

Joe McDonald, que fundou a empresa com outros sócios, descartou a possibilidade de manter o negócio de forma independente, sem mais investimentos. "Estamos em uma posição boa onde temos controle sobre nossa própria lucratividade. Então, eu poderia ter escolhido não levantar capital nenhum e ter um negócio bootstrap agradável, de certa forma", disse. "Bem, não somos esse tipo de empresa. Sabemos o que queremos alcançar como alguém que quer abrir capital ao longo dos anos."