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A startup de semicondutores Positron levantou US$ 230 milhões em uma rodada de financiamento Série B, apurou o TechCrunch com exclusividade. A empresa, sediada em Reno, nos Estados Unidos, planeja usar o capital para acelerar a implantação de seus chips de memória de alta velocidade, um componente crítico para os processadores usados em cargas de trabalho de inteligência artificial.

Investidores nesta rodada incluem a Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do Catar, que tem focado cada vez mais na construção de infraestrutura de IA, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. O aporte eleva o total de capital levantado pela Positron, que tem três anos de existência, para pouco mais de US$ 300 milhões.

Contexto de mercado e estratégia do Catar

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A rodada Série B da Positron ocorre em um momento em que grandes empresas de tecnologia (hyperscalers) e firmas de IA buscam reduzir sua dependência da líder de longa data Nvidia. Entre essas empresas está a OpenAI, que, apesar de ser um dos maiores e mais importantes clientes da Nvidia, estaria insatisfeita com alguns dos mais recentes chips de IA da empresa e vem buscando alternativas desde o ano passado.

Paralelamente, o Catar, por meio da QIA, tem acelerado uma estratégia mais ampla de investimento em infraestrutura de IA "soberana" – uma prioridade repetidamente destacada durante o Web Summit Qatar, em Doha, nesta semana. Fontes disseram ao TechCrunch que o país vê a capacidade de computação como crítica para se manter competitivo no cenário econômico global e está se posicionando como um hub líder de serviços de IA no Oriente Médio.

Essa estratégia já está tomando forma por meio de grandes compromissos, incluindo um joint venture de US$ 20 bilhões em infraestrutura de IA com a Brookfield Asset Management, anunciado em setembro.

Produto e posicionamento da Positron

A Positron afirma que seu chip de primeira geração, o Atlas, fabricado no Arizona, pode igualar o desempenho das GPUs H100 da Nvidia consumindo menos de um terço da energia. A empresa está focada em inferência – o processamento necessário para executar modelos de IA em aplicações do mundo real – em vez de treinar grandes modelos de linguagem.

Esse posicionamento coloca a startup em um momento de demanda crescente por hardware de inferência, conforme as empresas mudam o foco da construção de grandes modelos para sua implantação em escala. Fontes disseram ao TechCrunch que, além de suas capacidades de memória, os chips da Positron também têm bom desempenho em processamento de alta frequência e vídeo.

Histórico de financiamento e próximos passos

Antes da Série B, a Positron havia levantado US$ 75 milhões no ano passado com investidores como Valor Equity Partners, Atreides Management, DFJ Growth, Flume Ventures e Resilience Reserve. O TechCrunch entrou em contato com a Positron para obter mais informações sobre os planos com o novo financiamento e o cronograma de produção.

O avanço da Positron ocorre em um mercado aquecido por disputas geopolíticas e tecnológicas, onde a busca por alternativas à Nvidia e o investimento estrangeiro em capacidades nacionais de IA estão redefinindo o cenário dos semicondutores.