Gary Cohn, ex-assessor econômico-chefe do ex-presidente Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vivem uma realidade econômica dupla: enquanto indicadores como o PIB mostram um crescimento robusto, uma parcela significativa da população sofre para custear necessidades básicas. A declaração foi dada em entrevista ao programa "Face the Nation", da CBS, no domingo (2).
Cohn, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente da IBM, destacou que a economia americana cresce a uma taxa de cerca de 5% ao ano, um patamar considerado elevado. Ele também citou tendências promissoras nas taxas de inflação e desemprego.
Os dois lados da moeda econômica
No entanto, Cohn foi enfático ao apontar que os números agregados escondem uma profunda desigualdade. "Temos um efeito de riqueza massivo no topo, e temos americanos trabalhadores tendo uma dificuldade muito grande para pagar suas contas, e eles estão sofrendo nessa economia", afirmou o economista.
Diante desse cenário, Cohn revelou que a administração Trump fará da questão da acessibilidade um tema central de sua agenda e da campanha para as eleições legislativas de meio de mandato. "A Casa Branca está indo para a ofensiva. O presidente vai passar tempo na estrada falando sobre acessibilidade", disse.
A economia em "K" e os alertas dos especialistas
O fenômeno descrito por Cohn é frequentemente chamado de economia em "K". Nela, indivÃduos no topo da pirâmide de renda experimentam um crescimento econômico vigoroso, enquanto aqueles na base, mais sensÃveis à s mudanças econômicas, enfrentam estresse financeiro crescente.
Especialistas reforçam o alerta. Gregory Daco, economista-chefe da EY, afirmou em um post no LinkedIn que "uma maioria silenciosa de consumidores está cada vez mais pressionada por uma crise de acessibilidade de dois anos e custos elevados de empréstimo". Ele acrescentou que a renda que cresce em ritmo mais lento está forçando muitas famÃlias de renda média-alta, média e baixa a usar suas poupanças e a depender mais de crédito.
Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM, foi além e previu um agravamento da desigualdade. "Quando eu olho para o cenário polÃtico, ele está todo inclinado para o ramo superior do 'K'", disse ele em um briefing recente. "Então, espero um alargamento ainda maior dessa desigualdade fundamental nos próximos anos." Brusuelas avalia que mudanças polÃticas para remodelar a economia são necessárias, mas dificilmente ocorrerão antes de 2026.
O contexto polÃtico e os próximos passos
A análise de Cohn surge em um momento em que Donald Trump frequentemente celebra o fortalecimento da economia dos EUA desde seu retorno à Casa Branca. Paralelamente, pesquisas mostram que milhões de cidadãos relatam dificuldades para pagar alimentação, aluguel e outras despesas essenciais.
Para o ex-assessor, a disparidade torna a acessibilidade a questão econômica definidora no curto prazo. "A acessibilidade será o assunto entre agora e as eleições de meio de mandato", concluiu Cohn, sinalizando que o tema dominará o debate público e a estratégia do governo nos próximos meses.