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A Tesla iniciou nesta quinta-feira testes de robô-táxi sem um monitor de segurança humano dentro do veículo em Austin, Texas. O movimento ocorre após a empresa demonstrar avanços significativos em seu sistema de assistência ao motorista, o Full Self-Driving (FSD), que, apesar do nome, ainda requer supervisão constante. A tecnologia foi testada em um Model 3 2025 com a versão de software FSD v14.2.1 em condições variadas na área da Baía de São Francisco.

O FSD é classificado como um Sistema Avançado de Assistência ao Motorista (ADAS) e não como uma autonomia completa. O CEO Elon Musk e investidores veem a tecnologia como crucial para elevar o valor de mercado da montadora. O objetivo final é desenvolver um sistema "não supervisionado", onde o condutor possa desviar a atenção da estrada.

Desempenho impressionante, mas supervisionado

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Em um teste realizado em um sábado à tarde, o sistema percorreu cerca de 100 milhas (aproximadamente 160 km) por ruas urbanas densas, estradas universitárias, cânions e rodovias em Berkeley e Alameda. O FSD mostrou-se um motorista "suave e cauteloso", realizando paradas graduais para pedestres, navegando por campus e executando manobras como baliza de três pontos sem que o condutor precisasse intervir.

O modo "Mad Max", que realiza trocas de faixa mais agressivas para ultrapassar carros lentos, também foi testado na rodovia. Um passageiro descreveu a experiência como estar em uma "nave espacial", refletindo a intenção da Tesla de criar uma sensação futurista ao volante.

A lacuna entre a promessa e a realidade

Apesar da performance, a tecnologia não permite que o motorista se desengaje mentalmente. Durante o teste, um alerta foi acionado quando o condutor fechou os olhos por alguns segundos em uma avenida movimentada. "FSD parece que a carga de dirigir foi apenas transferida das minhas mãos e pés para a minha atenção", relatou o testador, comparando a experiência com uma viagem monótona de 7 horas entre São Francisco e Los Angeles.

Elon Musk afirmou recentemente que o FSD (Supervised) já é capaz o suficiente para que os motoristas desviem o olhar da estrada em certas condições sem acionar alertas. No entanto, um porta-voz da Tesla não respondeu a um pedido de comentário sobre quem assumiria a responsabilidade em caso de multa ou acidente com o sistema ativo.

O padrão a ser alcançado

O testador, que tem acesso regular aos serviços totalmente autônomos e sem volante da Waymo, estabeleceu a meta para o FSD: um sistema que permita dormir ao volante em qualquer estrada, sem restrições geográficas, e onde a Tesla assuma total responsabilidade legal durante sua operação. Histórias como a de David Moss, que disse ter dirigido mais de 11.000 milhas com o FSD sem tocar no volante, ilustram o potencial transformador da tecnologia para pessoas com deficiência visual, por exemplo.

A decisão da Tesla de remover o monitor de segurança de alguns de seus robôs-táxi em Austin sugere que a empresa pode estar se aproximando desse futuro. Por enquanto, contudo, a autonomia total permanece uma promessa.