Tripulação da Artemis II observa eclipse solar total inédito durante órbita lunar

Tripulação da Artemis II observa eclipse solar total inédito durante órbita lunar

Fenômeno de 53 minutos será sete vezes mais longo que eclipses vistos da Terra e ocorre após nave atingir ponto mais distante do planeta.

Redação
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6 de abril de 2026

Os quatro astronautas da missão Artemis II viverão uma experiência única nesta segunda-feira (6) ao observarem um eclipse solar total durante a órbita ao redor da Lua. O fenômeno, que deve durar 53 minutos, será visível apenas a bordo da nave Orion, sem possibilidade de observação a partir da Terra, e ocorre após a espaçonave atingir seu ponto mais distante do planeta, a aproximadamente 406 mil quilômetros.

A missão, lançada em 1º de abril, marca o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. O principal objetivo é testar sistemas e equipamentos com astronautas a bordo, preparando futuras viagens até a superfície lunar. A tripulação é composta pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen.

Um ponto de vista privilegiado

Segundo a líder de operações científicas de voo da Artemis na NASA, Kelsey Young, a mudança de perspectiva fará com que a Lua pareça maior para os astronautas, alterando a forma como o eclipse é observado. "Para quem está no planeta, Sol e Lua aparentam ter tamanhos semelhantes no céu. Já para a tripulação da Orion, a percepção é diferente, com a Lua ocupando uma proporção maior no campo de visão", explicou a cientista em coletiva no último sábado (4).

Como resultado, o Sol ficará encoberto para a tripulação por cerca de 53 minutos, um tempo cerca de sete vezes maior do que o máximo que um eclipse total costuma durar quando visto da Terra. O evento começa por volta das 21h35 (horário de Brasília), cerca de 90 minutos após a nave atingir seu ápice de distância.

Observações científicas planejadas

A NASA pretende aproveitar o momento único para orientar a tripulação a realizar observações detalhadas da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. Normalmente ofuscada pela intensa luminosidade do astro, essa região poderá ser estudada durante o eclipse.

De acordo com Kelsey Young, os astronautas receberam orientações para descrever o que observarem, o que pode ajudar cientistas a entender melhor esses processos. "A observação humana faz diferença, já que os olhos conseguem perceber nuances de cores que câmeras nem sempre captam", destacou, citando como exemplo a missão Apollo 17, quando astronautas identificaram um solo alaranjado na Lua, revelando atividade vulcânica mais recente do que se imaginava.

Recorde histórico e contexto da missão

A marca de distância alcançada pela Orion – 406 mil quilômetros – supera em cerca de 6,4 mil quilômetros o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970. Apesar da importância, o evento não é totalmente inédito, pois astronautas das missões Apollo que orbitaram a Lua também já observaram eclipses solares a partir da região lunar.

A chance de observar o eclipse solar total não estava nos planos iniciais da Artemis II. A missão teve seu lançamento adiado em fevereiro e março devido a ajustes no foguete Space Launch System, e a data de abril acabou coincidindo com a janela do fenômeno.

Após a passagem pela Lua, a nave iniciará o retorno à Terra, com pouso previsto para sexta-feira (10), encerrando a missão de cerca de 10 dias. Os dados coletados serão essenciais para viabilizar o retorno humano ao satélite natural.

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