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Os quatro astronautas da missão Artemis II viverão uma experiência única nesta segunda-feira (6) ao observarem um eclipse solar total durante a órbita ao redor da Lua. O fenômeno, que deve durar 53 minutos, será visível apenas a bordo da nave Orion, sem possibilidade de observação a partir da Terra, e ocorre após a espaçonave atingir seu ponto mais distante do planeta, a aproximadamente 406 mil quilômetros.

A missão, lançada em 1º de abril, marca o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. O principal objetivo é testar sistemas e equipamentos com astronautas a bordo, preparando futuras viagens até a superfície lunar. A tripulação é composta pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen.

Um ponto de vista privilegiado

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Segundo a líder de operações científicas de voo da Artemis na NASA, Kelsey Young, a mudança de perspectiva fará com que a Lua pareça maior para os astronautas, alterando a forma como o eclipse é observado. "Para quem está no planeta, Sol e Lua aparentam ter tamanhos semelhantes no céu. Já para a tripulação da Orion, a percepção é diferente, com a Lua ocupando uma proporção maior no campo de visão", explicou a cientista em coletiva no último sábado (4).

Como resultado, o Sol ficará encoberto para a tripulação por cerca de 53 minutos, um tempo cerca de sete vezes maior do que o máximo que um eclipse total costuma durar quando visto da Terra. O evento começa por volta das 21h35 (horário de Brasília), cerca de 90 minutos após a nave atingir seu ápice de distância.

Observações científicas planejadas

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A NASA pretende aproveitar o momento único para orientar a tripulação a realizar observações detalhadas da coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. Normalmente ofuscada pela intensa luminosidade do astro, essa região poderá ser estudada durante o eclipse.

De acordo com Kelsey Young, os astronautas receberam orientações para descrever o que observarem, o que pode ajudar cientistas a entender melhor esses processos. "A observação humana faz diferença, já que os olhos conseguem perceber nuances de cores que câmeras nem sempre captam", destacou, citando como exemplo a missão Apollo 17, quando astronautas identificaram um solo alaranjado na Lua, revelando atividade vulcânica mais recente do que se imaginava.

Recorde histórico e contexto da missão

A marca de distância alcançada pela Orion – 406 mil quilômetros – supera em cerca de 6,4 mil quilômetros o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970. Apesar da importância, o evento não é totalmente inédito, pois astronautas das missões Apollo que orbitaram a Lua também já observaram eclipses solares a partir da região lunar.

A chance de observar o eclipse solar total não estava nos planos iniciais da Artemis II. A missão teve seu lançamento adiado em fevereiro e março devido a ajustes no foguete Space Launch System, e a data de abril acabou coincidindo com a janela do fenômeno.

Após a passagem pela Lua, a nave iniciará o retorno à Terra, com pouso previsto para sexta-feira (10), encerrando a missão de cerca de 10 dias. Os dados coletados serão essenciais para viabilizar o retorno humano ao satélite natural.