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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu sinais contraditórios sobre a promessa de distribuir cheques de US$ 2 mil para cidadãos americanos, financiados pela receita de tarifas de importação. Em entrevista ao The New York Times, Trump demonstrou dúvidas sobre o compromisso e sugeriu que o dinheiro arrecadado pode ser destinado a outras prioridades, como a redução da dívida pública e o orçamento de defesa.

A promessa original foi feita por Trump em uma publicação na rede social Truth Social, em novembro, onde propôs um "dividendo" de pelo menos US$ 2 mil por pessoa para cidadãos de baixa e média renda, alegando que o governo estava "arrecadando tanto dinheiro" com as tarifas. No entanto, durante a entrevista, quando questionado sobre quando os cheques seriam distribuídos, o presidente respondeu de forma evasiva.

Dúvidas e nova destinação dos recursos

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"Você prometeu cheques de US$ 2 mil para os americanos com base nas receitas de suas tarifas. Quando eles podem esperar por isso?", perguntou a repórter Katie Rogers, do Times. A resposta de Trump foi: "Eu fiz isso? Quando eu fiz isso? [...] Estou pensando. Bem, eu fiz US$ 1.776 para os militares". Questionado novamente por outro jornalista, Tyler Pager, sobre o prazo, Trump afirmou que "o dinheiro das tarifas é tão substancial" e que "isso está chegando, que eu serei capaz de fazer US$ 2 mil em algum momento", sugerindo "para o final do ano".

Mais tarde na mesma entrevista, no entanto, o presidente indicou que a receita das tarifas será usada para reduzir a dívida do governo federal e financiar a defesa nacional. Trump recentemente defendeu aumentar o orçamento de defesa para US$ 1,5 trilhão no ano fiscal de 2027.

Contexto fiscal e poder de execução

De acordo com uma petição recente à Suprema Corte, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, estimou que o governo federal pode ter arrecadado cerca de US$ 1 trilhão em tarifas. A dívida nacional dos EUA, no entanto, era de aproximadamente US$ 38,40 trilhões em janeiro, tendo aumentado US$ 2,17 trilhões apenas em 2025. Se a estimativa de Bessent estiver correta, o total arrecadado com tarifas no último ano cobriria menos de 50% do aumento da dívida no período.

Além disso, o Comitê para um Orçamento Federal Responsável estima que o aumento proposto para o orçamento de defesa adicionaria US$ 5,8 trilhões à dívida nacional na próxima década. Há também uma questão constitucional: o poder de gastar recursos públicos (poder da bolsa) pertence ao Congresso, não à Presidência, o que coloca em dúvida a capacidade de Trump de emitir os cheques sem aprovação legislativa.

Histórico de promessas de pagamento

Esta não é a primeira vez que Trump promete ou sugere pagamentos diretos aos americanos. Em seu segundo mandato, ele já mencionou um cheque de US$ 5.000 em DOGE (uma criptomoeda), um bônus de US$ 10.000 para controladores de tráfego aéreo com presença perfeita durante o shutdown do governo, US$ 1.000 para contas de crianças cidadãs e um "dividendo guerreiro" de US$ 1.776 para membros ativos das Forças Armadas.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o futuro da promessa dos cheques de US$ 2 mil. Enquanto isso, a Suprema Corte deve decidir em breve sobre a constitucionalidade das tarifas impostas por Trump sob poderes de emergência, um veredicto que também pode impactar a viabilidade financeira de qualquer pagamento futuro.