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A comunidade de tecnologia de Minneapolis, nos Estados Unidos, está sob forte tensão e vê seu trabalho paralisado devido a uma operação de imigração em larga escala conduzida pelo governo federal. A ação, batizada de "Operação Metro Surge", deslocou mais de 3.000 agentes da Imigração e Alfândega (ICE) e da Patrulha de Fronteira para Minnesota, superando em quase três para um o efetivo da polícia local, conforme declarou a senadora Amy Klobuchar.

Fundadores e investidores entrevistados relatam dias dedicados a apoiar a comunidade, voluntariando-se em igrejas e ajudando a comprar alimentos, em um esforço comunitário que transcende raça e classe. "Há muita coisa em comum entre como um professor está reagindo agora e como um profissional de tecnologia está reagindo", disse o investidor Scott Burns ao TechCrunch, descrevendo a cidade como "muito fatigada".

Medo e paralisia no dia a dia

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A presença ostensiva e armada de agentes federais em transporte público, locais de trabalho, escolas e residências criou um clima de medo generalizado. Um fundador negro, que pediu anonimato para proteger sua equipe, contou que agora carrega seu passaporte de cidadão americano para todos os lugares. "As pessoas não estão exagerando sobre como tem sido difícil. É difícil se concentrar", afirmou.

Efraín Torres, fundador latino, trabalha de casa ouvindo as batidas de imigração em seu bairro. "Você não pode não ouvi-las", disse. Ele descreve "verificações de cidadania" realizadas em tarefas cotidianas, como limpar a neve do jardim, e afirmou: "A linha que me separa de ser vítima de uma agressão é apenas um encontro casual".

Contexto político e impacto comunitário

A escalada das operações de imigração em Minneapolis ocorre em um estado governado por democratas e que abriga uma das maiores populações de imigrantes somalis do país – grupo anteriormente visado pela administração Trump. Mais de 2.000 pessoas foram presas pelo ICE em Minnesota desde que o presidente assumiu o cargo em janeiro de 2023.

O impacto emocional e logístico é profundo. A empresa de Torres, por exemplo, adotou uma política que proíbe o uso de aplicativos de transporte por funcionários com visto H-1B, após relatos de que eram seguidos. Investidores como Reed Robinson mencionaram que pais criaram sistemas voluntários para cuidar dos filhos uns dos outros, devido a detenções frequentes de funcionários de creches.

Críticas à resposta corporativa e resiliência local

Enquanto a comunidade se mobiliza no nível local, fundadores e investidores criticam a resposta considerada vaga de grandes corporações com sede na região, como Target, Best Buy e UnitedHealthGroup. Sessenta executivos assinaram uma declaração pedindo a "desescalada imediata das tensões", e empresas financiaram milhões em doações para negócios afetados, mas muitos consideram essas ações insuficientes.

Apesar do cenário desafiador, há esforços de resiliência. A investidora Mary Grove afirmou que sua equipe verifica rotineiramente o bem-estar da comunidade, e o grupo sem fins lucrativos Minnestar planeja um evento para discutir próximos passos. "Não vai parar; vamos continuar fazendo o trabalho enquanto resolvemos esta situação atual", disse Robinson, lembrando a histórica capacidade de inovação da cena tech local, que levantou pouco mais de US$ 1 bilhão nos últimos anos.