Há exatos 49 anos, em 10 de setembro de 1977, era realizada a última execução oficial por guilhotina na França. O condenado foi Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano, executado no pátio da prisão de Baumettes, em Marselha.
Djandoubi havia sido condenado pelo sequestro, tortura e assassinato de Élisabeth Bousquet, uma jovem de 21 anos. Sua execução ocorreu poucos meses antes da pena de morte ser definitivamente abolida no país, em 1981.
Fim de uma era na justiça francesa
A guilhotina, inventada no final do século 18 para tornar as execuções mais "humanas" e rápidas, tornou-se um símbolo da justiça revolucionária francesa. No século 20, as decapitações deixaram de ser públicas e passaram a ocorrer dentro dos muros das prisões.
O caso de Djandoubi marca o ponto final de um método de execução que perdurou por quase dois séculos na França. "O episódio, que hoje pode parecer distante, ocorreu apenas 49 anos atrás", contextualiza o jornalista Arthur Felipe Farias, em reportagem para o iG.
Contexto histórico e cultural
A última execução ocorreu em uma década de profundas transformações culturais no mundo. Para efeito de comparação, o evento é mais recente do que o lançamento do primeiro filme da saga Star Wars, que estreou em maio de 1977.
A guilhotina utilizada na execução de Djandoubi foi preservada e hoje está em exibição para o público, servindo como um artefato histórico de um capítulo encerrado do sistema judicial francês.
Legado e abolição definitiva
Após a execução de Djandoubi, a pena de morte foi abolida na França em 1981, durante o governo do presidente François Mitterrand. A decisão encerrou qualquer possibilidade de novos usos da guilhotina no país.
Hoje, o instrumento é mais lembrado em museus e livros de história, simbolizando como tecnologias e mentalidades consideradas avançadas em uma época podem se tornar, em um piscar de olhos histórico, curiosidades de um passado distante.