Uma viajante e escritora freelance norte-americana, que passou um ano trabalhando como enóloga nômade e redatora na Europa e na Oceania, compartilhou sua avaliação detalhada de sete trilhas que percorreu em seis países diferentes. Ela destacou quatro rotas que considera imperdíveis e três que, em sua experiência, estavam superlotadas e não atenderam às expectativas.
A aventura incluiu caminhadas por caminhos rochosos nos Alpes, vales escoceses e até áreas de mata australiana. A viajante, que tem a caminhada como sua forma preferida de explorar novos lugares, documentou as experiências entre agosto de 2024 e o outono europeu do mesmo ano.
As quatro trilhas imperdíveis
Na Áustria, o circuito Rotmoosalm-to-Wettersteinhütte, no vale alpino de Leutash, ao sul do monte Zugspitze, foi classificado como um dos favoritos. A trilha circular de aproximadamente 14,5 km exige um desnível acumulado de mais de 900 metros, mas reúne florestas densas, picos rochosos, lagos de cor gelo e cabanas tradicionais de montanha em um único percurso.
Nos Alpes italianos, a caminhada de 12 km (ida e volta) até o Lago di Sorapis, nas Dolomitas, realizada em outubro de 2024, deixou marcas. A trilha técnica, esculpida na rocha com um desnível acentuado, foi recompensada pelas águas turquesas opacas do lago, contrastando com as montanhas rochosas claras.
Na Eslovênia, o circuito da cachoeira Slap Kozjak, no Vale do Soča, foi uma surpresa positiva. Com pouco mais de 3,2 km, o trajeto passa pela borda de um penhasco, por uma ponte suspensa de madeira e por riachos na floresta, levando a uma queda d'água esmeralda de 15 metros dentro de um desfiladeiro.
Na região do Jura, na França, a trilha icônica de 6,9 km que passa por uma sucessão de sete cachoeiras únicas foi considerada perfeita para o verão. A viajante destacou a luz do sol filtrada pela copa das árvores, mas alertou para a popularidade do local, sugerindo começar cedo para evitar aglomerações.
As três trilhas consideradas superlotadas
Apesar de ter gostado da visita, a trilha das Três Torres de Lavaredo (Tre Cime di Lavaredo), nas Dolomitas italianas – Patrimônio Mundial da UNESCO –, foi prejudicada pela grande quantidade de visitantes. O percurso de 10,1 km, feito no outono (baixa temporada), já estava cheio de caminhantes, escaladores e turistas no início da tarde. A viajante considerou a taxa de estacionamento de €40 pouco valiosa devido às multidões.
Na Áustria, a subida até a Eisriesenwelt, a maior caverna de gelo do mundo ao sul de Salzburgo, foi uma experiência "fascinante e única", mas também lotada. O fácil acesso por teleférico resultou em longos tempos de espera, afetando a experiência na trilha curta e íngreme pela face rochosa.
Na Escócia, a trilha Fairy Glen, na Ilha de Skye, percorrida durante um feriado de Ação de Graças, foi considerada muito movimentada. O pequeno estacionamento pago ficou lotado, e o caminho fácil de 1,6 km por colinas gramadas e formações rochosas incomuns foi prejudicado pelo clima úmido, que transformou as trilhas em lama.
Contexto e próximos passos
A viajante, que combinou trabalho remoto com a paixão por enologia e caminhadas, conclui que, para experiências mais autênticas, prefere explorar trilhas de longa distância e mais remotas, especialmente em destinos populares como a Escócia. Sua análise serve como um guia prático para outros aventureiros que buscam equilibrar desafio, beleza natural e evitar aglomerações em rotas europeias.