Casais estão encontrando na pintura por números para adultos uma forma de reduzir o tempo de tela e reconectar-se pessoalmente. A atividade, que custa cerca de US$ 30 por kit, tem ganhado popularidade como uma alternativa ao "doomscrolling" — o hábito de navegar compulsivamente por notícias negativas em redes sociais. A prática surge em meio a um movimento crescente nas redes por atividades "analógicas" e sem telas.
Um casal que adotou o hobby relatou ao Business Insider que a experiência destacou diferenças de personalidade, mas criou um ambiente mais leve em casa. Enquanto um parceiro seguia as instruções à risca, começando pelos detalhes menores, o outro ignorou o manual e partiu para as áreas maiores da tela, demonstrando abordagens distintas diante da mesma tarefa.
Processo revela dinâmicas do casal
A atividade, realizada durante maratonas da série "New Girl", mostrou-se mais desafiadora do que o esperado. "Declaro desastre total entre cada risada", relatou um dos participantes, que expressou frustração com a dificuldade de não ultrapassar as linhas do desenho. Apesar da lentidão do progresso, o casal persistiu, pintando noite após noite em uma mesa dobrável compartilhada no sofá.
O resultado imediato foi uma mudança perceptível no ambiente doméstico. "Nossa casa fica mais gentil. Nós conversamos. Nós rimos", descreveu um dos integrantes do casal. O estresse de acertar os traços dentro das linhas foi classificado como um "estresse mais leve", semelhante ao vivido nos primeiros anos do relacionamento.
Benefícios vão além da arte final
Especialistas em comportamento e relacionamentos frequentemente destacam a importância de atividades compartilhadas sem objetivos produtivos para a saúde dos casais. A pintura por números, nesse contexto, serve como um catalisador para interação genuína, deslocando o foco das telas individuais para uma experiência conjunta.
A prática permite que os casais se lembrem "como é fazer algo sem meta ou agenda", criando um espaço protegido das demandas digitais constantes. A avaliação conjunta do progresso ao final de cada sessão se tornou um ritual que contribui para uma sensação de realização compartilhada.
O movimento por hobbies analógicos ganhou força em plataformas como TikTok e Instagram, onde vídeos declarando 2026 como o "ano de sair das redes sociais" viralizam. A ironia de promover uma vida offline através de plataformas online não passa despercebida, mas a busca por alívio do bombardeio informacional digital é real para muitos usuários.
Para o casal entrevistado, o projeto resultou em duas pinturas — uma paisagem urbana de Brooklyn e um céu de Londres — que podem ganhar lugar na parede do quarto. Mais importante, a experiência os fez redescobrir o prazer de um passatempo conjunto, com a possibilidade de, no final, exibir o trabalho com orgulho, "erros em plena exibição", como um símbolo do tempo reconquistado.