Vice dos EUA cita petróleo como motivo de ataque à Venezuela em rede social
Declaração de J.D. Vance é a primeira vez que alto escalão americano vincula ação militar a recursos energéticos do país.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou publicamente que o "petróleo roubado" da Venezuela deve ser devolvido, justificando a ofensiva militar americana contra o país. A declaração, feita em uma publicação nas redes sociais, é a primeira vez que um integrante do alto escalão do governo dos Estados Unidos menciona diretamente o petróleo como uma das razões para o ataque.
Até então, autoridades estadunidenses limitavam-se a citar o combate ao narcotráfico e questões de segurança para explicar a ação. A fala de Vance ocorre após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças americanas na manhã do último sábado (03).
Preocupação prévia de Maduro
Em entrevista à televisão estatal venezuelana no dia 1º de janeiro, antes da escalada do conflito, o presidente Nicolás Maduro já havia expressado preocupação com o que chamou de "intenções dos Estados Unidos sobre as riquezas do país". Maduro relacionou a pressão política e econômica de Washington ao interesse direto nos recursos naturais venezuelanos, especialmente no petróleo.
"O país vinha sendo alvo de sanções e ameaças justamente por causa de suas reservas estratégicas", disse Maduro na ocasião. Ele também se declarou disposto ao diálogo, desde que fosse respeitada a soberania venezuelana.
Contexto histórico e disputa política
A associação entre a Venezuela e seu petróleo não é nova no círculo do presidente Donald Trump. Durante a campanha eleitoral, Trump criticou a política energética do então presidente Joe Biden em relação à Venezuela, afirmando que, em seu mandato anterior, o país estava próximo do colapso econômico.
Trump defendeu que os EUA não deveriam comprar petróleo venezuelano nem aliviar sanções, argumentando que qualquer flexibilização sustentaria financeiramente o governo de Maduro.
Antes da nacionalização do setor petrolífero venezuelano, empresas dos Estados Unidos estavam entre as principais exploradoras. Com a estatização, essas companhias perderam concessões e ativos, gerando disputas e alegações de expropriação.
Interpretação política e sanções
Washington não reconhece o governo de Nicolás Maduro como legítimo. Por esse motivo, autoridades americanas passaram a classificar as receitas atuais do petróleo venezuelano como "roubadas".
Essa interpretação política é usada como base para as sanções e pressões internacionais impostas pelos Estados Unidos ao país sul-americano. A declaração explícita do vice-presidente Vance reforça publicamente essa linha de argumentação, dando um novo tom público às justificativas para o conflito.
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