O jornal The Washington Post demitiu centenas de funcionários nesta quarta-feira (data da referência) em uma grande reestruturação que visa reposicionar o veículo em um cenário de mudanças tecnológicas e hábitos de consumo. Os cortes, descritos pelo editor-executivo Matt Murray como "substanciais", afetaram quase todos os departamentos da redação, incluindo esportes, livros e relações internacionais.
Em um memorando interno e em uma chamada por Zoom com a equipe, Murray afirmou que as demissões são necessárias para colocar o jornal em uma "posição mais forte" diante de um "cenário de mídia mais lotado, competitivo e complicado". O editor destacou que a empresa, propriedade do fundador da Amazon, Jeff Bezos, operava com uma estrutura muito enraizada em seu passado como um "quase monopólio de jornal local".
Foco em áreas de "autoridade e impacto"
A nova estratégia editorial do Post concentrará esforços em áreas que "demonstrem autoridade, distinção e impacto". Segundo o memorando, as prioridades serão política, assuntos nacionais, segurança nacional e forças que moldam o futuro, como ciência, tecnologia, clima e negócios. O podcast diário "Post Reports" será descontinuado como parte das mudanças.
Murray justificou a decisão com dados preocupantes sobre o desempenho do jornal. "Nossa busca orgânica caiu quase pela metade nos últimos três anos", escreveu ele. Além disso, "nossa produção diária de matérias caiu substancialmente nos últimos cinco anos". Dois funcionários que permaneceram na empresa disseram ao Business Insider que os cortes foram muito piores do que o esperado.
Inteligência Artificial e mudança no ecossistema
Durante a chamada, o editor-executivo também citou a inteligência artificial como um disruptor que impactará o futuro do jornalismo. "Ainda estamos quase na soleira das mudanças dramáticas que a IA trará para todos nós", disse Murray. Ele argumentou que o ecossistema da informação mudou radicalmente, com consumidores tendo mais opções de voz, plataformas e produtos de baixo custo do que nunca.
A empresa também está reduzindo sua presença internacional, fundindo bancadas de edição e sua equipe de arte, e reestruturando a cobertura da região metropolitana de Washington D.C. Um porta-voz do Sindicato dos Jornalistas de Washington-Baltimore confirmou que "centenas" de trabalhadores foram afetados.
Contexto e reação
Esta não é a primeira rodada de cortes no Washington Post, que, segundo Murray, tem lidado com desafios financeiros há algum tempo. O editor reconheceu que a notícia é "dolorosa" e agradeceu aos colegas demitidos por seus talentos e paixão.
Um porta-voz oficial do jornal descreveu as mudanças como uma "reestruturação significativa" projetada para "fortalecer nossa base e aguçar nosso foco em entregar o jornalismo distinto que diferencia The Post e, mais importante, engaja nossos clientes". A empresa prometeu se reunir com os líderes de cada departamento para revisar os impactos em suas equipes.