Analista da Goldman Sachs alerta para possível crise global no gás natural

Analista da Goldman Sachs alerta para possível crise global no gás natural

Interrupções prolongadas na produção do Catar podem forçar alta de até 100% nos preços antes do inverno.

Redação
Redação

9 de abril de 2026

Uma crise no mercado de gás natural pode estar se formando enquanto o mundo observa a guerra no Irã, alertou uma analista sênior do Goldman Sachs. O risco está centrado no Catar, responsável por cerca de um quinto do gás natural liquefeito (GNL) global, cuja principal instalação de produção foi danificada por ataques recentes.

Samantha Dart, co-chefe de pesquisa de commodities globais do Goldman Sachs, afirmou em um podcast do banco que há um risco de o processo se tornar "muito doloroso" se as interrupções se prolongarem. O gás natural é vital para a geração de eletricidade, processos industriais e aquecimento em todo o mundo.

Janela crítica para reposição de estoques

A principal preocupação, segundo a analista, é a natureza sazonal do mercado. Países dependem do acúmulo de estoques entre abril e outubro para atender à demanda de pico no inverno do hemisfério norte. "Qualquer impacto que isso teve nos estoques hoje, temos que compensá-lo completamente até o final de outubro", disse Dart no podcast gravado na segunda-feira.

A interrupção no fornecimento é significativa. A infraestrutura de GNL do Catar foi duramente atingida, e a QatarEnergy estima que os reparos possam levar de três a cinco anos para restaurar totalmente a capacidade. "O que eles estão realmente dizendo é que essas duas linhas de liquefação foram tão danificadas que precisamos recomeçar. Precisamos reconstruí-las do zero", explicou Dart.

Pressão sobre os preços e falta de capacidade ociosa

Os preços do gás natural já subiram entre 50% e 70%, mas Dart esperava uma valorização maior. Até agora, os preços mais altos incentivaram apenas uma mudança limitada para alternativas como o carvão, e não os cortes mais profundos na demanda necessários para reequilibrar o mercado.

Um alívio temporário veio da China, que, após um inverno ameno, redirecionou seu excedente de gás para os mercados globais, especialmente para a Europa. No entanto, à medida que esse alívio desaparece, o mercado terá que lidar com as restrições subjacentes. O sistema global não tem folga, e os Estados Unidos – o maior exportador mundial de GNL – não têm capacidade ociosa para preencher a lacuna rapidamente.

Cenários futuros: de alívio a nova alta drástica

Se o conflito for resolvido em breve, os preços podem recuar. Contudo, se as interrupções se arrastarem, o Goldman Sachs vê potencial para os preços do gás subirem mais de 50% a 100% em relação aos níveis atuais. Esse salto ocorreria à medida que os mercados fossem forçados a racionar a demanda de forma mais agressiva.

A análise destaca a vulnerabilidade do mercado global de energia a choques geopolíticos concentrados em produtores-chave, com implicações diretas para custos industriais e contas de energia de consumidores em todo o mundo nos próximos meses.

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