O influente investidor de tecnologia David Sacks classificou uma proposta de imposto sobre grandes fortunas que pode ser votada na Califórnia como um "confisco de ativos". A declaração foi dada à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Sacks, um bilionário do setor de venture capital, é uma das várias vozes da indústria de tecnologia que se posicionaram contra a chamada "Lei dos Bilionários". A proposta, que ainda precisa ser aprovada pelos eleitores, criaria um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de residentes californianos que ultrapassem US$ 1,1 bilhão.
Um "primeiro passo" perigoso
Em suas críticas, Sacks argumentou que a medida não seria um evento isolado. "Não é algo único. É uma primeira vez", disse ele. "E se eles se safarem, haverá uma segunda e uma terceira vez. E este será o início de algo muito novo e diferente neste país."
O investidor, que se mudou para a região de Austin, no Texas, em dezembro, segundo sua empresa Craft Ventures, alertou que a Califórnia está tomando uma direção potencialmente "assustadora". Para ele, a taxação representaria uma mudança fundamental na relação do estado com a propriedade.
Fuga de bilionários e oposição política
A proposta já começa a mostrar efeitos concretos. Os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, moveram entidades ligadas a eles para fora da Califórnia antes do prazo relacionado ao imposto. Outros, como o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmaram que não deixarão o estado.
O governador democrata Gavin Newsom, visto como potencial candidato presidencial em 2028, tem se posicionado contra a medida há meses. Em entrevista ao The New York Times, Newsom afirmou: "Farei o que tiver que fazer para proteger o estado".
Em conversa com a Politico, ele expressou seu temor de que a proposta justamente provocasse uma fuga de talentos e investimentos. "Este é o meu medo. É exatamente contra o que eu adverti", disse Newsom. "Está acontecendo." A Califórnia abriga mais bilionários do que qualquer outro estado dos EUA.
Caminho até a votação e desafios legais
A proposta de imposto sobre a fortuna ainda não está garantida. Seus apoiadores precisam coletar assinaturas suficientes para colocá-la na votação de novembro. Caso atinjam esse limite, a maioria dos eleitores californianos precisaria aprová-la.
Especialistas preveem que, mesmo se aprovada, a medida enfrentará desafios legais significativos, questionando sua constitucionalidade. O governador Newsom atribui parte da responsabilidade pela situação atual à falta de uma oposição mais contundente e antecipada à proposta.