A BR-393, conhecida como Rodovia do Aço, apresenta graves problemas estruturais no trecho entre Três Rios e Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro. A deterioração acelerada ocorre desde que a gestão da via retornou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em julho de 2025, após o fim da concessão com a empresa K-Infra. Usuários enfrentam buracos, falhas na sinalização, mato alto e ausência de serviços de apoio.
A rodovia, que conecta polos industriais e agrícolas do Sul Fluminense, deixou de cobrar pedágio, mas a falta de manutenção adequada tem colocado motoristas em risco. O Governo Federal decretou o fim do contrato com a concessionária após processos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontarem falhas no cumprimento das obrigações.
Trecho crítico e relatos de usuários
Motoristas que trafegam diariamente pela via relatam que a situação piorou significativamente após a saída da K-Infra. “Depois que acabou o pedágio, a rodovia ficou sem manutenção adequada. Hoje é desviar de buraco o tempo todo, sem qualquer tipo de apoio”, disse um caminhoneiro à reportagem. A falta de serviços de socorro mecânico ou atendimento emergencial deixa os usuários vulneráveis em caso de pane ou acidente.
O problema também se estende ao trecho mineiro da rodovia, que corta cidades da Zona da Mata como Além Paraíba e Pirapetinga. Nessa região, crateras profundas e mato alto obrigam condutores a manobras perigosas, como invadir a contramão. A Polícia Militar local tem realizado patrulhas noturnas devido ao aumento do risco de assaltos, explorando a baixa velocidade imposta pelas más condições da pista.
Respostas dos órgãos responsáveis
O DNIT confirmou que assumiu a administração da BR-393 em caráter emergencial, conforme previsto em lei, após o que classificou como "abandono progressivo" das atividades de manutenção pela concessionária. A autarquia informou que há um contrato de manutenção vigente no trecho entre os quilômetros 105 e 185 e que a expectativa é a assinatura de um novo contrato para os trechos de Volta Redonda e Três Rios ainda neste mês, processo atualmente na fase de recursos licitatórios.
A ANTT, por sua vez, afirmou que trabalha com o Ministério dos Transportes para incluir o projeto da Rodovia do Aço na lista de concessões rodoviárias de 2026. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Histórico e impacto econômico
Inaugurada na década de 1950, a BR-393 tem cerca de 200 quilômetros e é uma ligação crucial entre o interior do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A concessão à K-Infra, iniciada em 2018, trouxe melhorias após um histórico de acidentes e pavimento deteriorado, mas falhas contratuais levaram ao seu fim.
A precariedade atual impacta diretamente a logística regional. Empresários do transporte relatam aumento no tempo de viagem, elevação de custos e perda de mercadorias. Em outubro de 2025, prefeitos e empresários se reuniram em Barra do Piraí para pressionar por soluções emergenciais.
Posicionamento da ex-concessionária e futuro indefinido
A K-Infra, procurada pela reportagem, não retornou os contatos. Em comunicado em seu portal, a empresa informou que deixou de exercer responsabilidades operacionais a partir de 9 de julho de 2025, por determinação do DNIT, que incluiu o afastamento imediato de suas equipes. A concessionária discorda da legalidade da medida, sustenta que há descumprimento de decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) e levou o caso novamente à Justiça.
A previsão oficial é que uma nova concessão seja lançada a partir de 2027, com contrato até 2050, prevendo investimentos menores e apenas seis quilômetros de duplicação. Enquanto isso, os usuários da BR-393 seguem convivendo com o risco diário.