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A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (11), uma resolução para revogar as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump ao Canadá no ano passado. A votação, que ocorreu em meio a fortes ameaças públicas de Trump contra membros de seu próprio partido, terminou com 219 votos a favor e 211 contra.

A medida, que desfaz uma política comercial usada como ferramenta de pressão em negociações, foi apoiada por todos os democratas, exceto um, e por seis republicanos que desafiaram a liderança do partido. A revogação, no entanto, ainda precisa da aprovação final de Trump, cenário considerado improvável pelos analistas.

Republicanos desafiam Trump em votação apertada

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Seis representantes republicanos votaram a favor da revogação das tarifas, alinhando-se à maioria democrata. São eles: Don Bacon (Nebraska), Thomas Massie (Kentucky), Brian Fitzpatrick (Pensilvânia), Kevin Kiley (Califórnia), Dan Newhouse (Washington) e Jeff Hurd (Colorado). Do lado democrata, apenas Jared Golden, do Maine, votou contra a proposta.

Antes da votação ser finalizada, Donald Trump usou sua rede social, Truth Social, para advertir os parlamentares. "Qualquer republicano, na Câmara ou no Senado, que votar contra as TARIFAS sofrerá seriamente as consequências na época das eleições, inclusive nas primárias!", escreveu. Em outra publicação, ele defendeu a medida: "As TARIFAS nos deram segurança econômica e nacional, e nenhum republicano deve ser responsável por destruir esse privilégio."

Contexto das tarifas e pressão por revogação

As tarifas sobre produtos canadenses foram impostas por Trump como uma medida para forçar o parceiro comercial a renegociar termos considerados desfavoráveis aos EUA. "O Canadá tem se aproveitado dos Estados Unidos no comércio há muitos anos", afirmou o ex-presidente, classificando o país como "um dos piores do mundo para se negociar".

No entanto, a política gerou retaliações e aumentou os custos para empresas americanas que dependem de insumos canadenses. Legisladores passaram a enfrentar pressão tanto dessas empresas quanto de eleitores que lidam com o aumento de preços decorrente das guerras comerciais.

O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, criticou o impacto da medida: "As tarifas de Trump estavam fazendo os preços dispararem e criando incerteza desnecessária para as famílias americanas".

Futuro incerto da resolução

Apesar da aprovação na Câmara, o caminho para a revogação efetiva das tarifas é complexo. A resolução ainda precisa passar pelo Senado e, em última instância, ser sancionada pelo ex-presidente Donald Trump, arquiteto da política original.

Analistas políticos consideram altamente improvável que Trump aprove uma medida que desfaça uma de suas principais bandeiras de política externa e econômica. A votação desta quarta-feira reflete mais uma fissura interna no Partido Republicano em relação ao legado do ex-presidente do que uma mudança concreta e iminente na política comercial.