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A Waymo, empresa de veículos autônomos controlada pela Alphabet (holding do Google), anunciou um aporte de US$ 16 bilhões para financiar sua expansão internacional. A companhia, que já opera serviços comerciais de táxi sem motorista em seis mercados dos EUA, planeja levar sua frota para mais de uma dúzia de novas cidades ao redor do mundo ainda este ano.

Os mercados atuais incluem a região da Baía de São Francisco, Phoenix, Los Angeles, Austin, Atlanta e Miami. Os planos de crescimento internacional têm como alvos confirmados as cidades de Londres, no Reino Unido, e Tóquio, no Japão. A Waymo realiza atualmente cerca de 400 mil viagens por semana nas áreas metropolitanas onde atua, tendo mais que triplicado seu volume anual para 15 milhões de corridas em 2025.

O desafio da rentabilidade

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Especialistas ouvidos pela TechCrunch avaliam que os US$ 16 bilhões podem ser suficientes para a expansão, mas colocam a rentabilidade do negócio de robotáxis em um território de incertezas. "A resposta ficou naquele terreno 'mais ou menos' e 'depende'", descreve a publicação.

O principal ponto forte da Waymo é o comprometimento contínuo da Alphabet, seu principal investidor, o que a protege da instabilidade financeira que afetou outras startups do setor. No entanto, a empresa ainda enfrenta desafios significativos, como o alto custo operacional e a atenção crescente de reguladores.

Tekla Haritos, diretor de segurança da Waymo, recentemente testemunhou em uma audiência do Comitê de Comércio do Senado dos EUA, refletindo o escrutínio governamental sobre a tecnologia.

Estratégia e concorrência

Analistas apontam que, se a Waymo optar por licenciar sua tecnologia em vez de operar os veículos, terá que abrir mão de parte do controle – uma decisão difícil para uma tecnologia ainda em fase de amadurecimento. Outro ponto de discussão é a falta de fabricação própria, diferentemente da concorrente Tesla, o que pode limitar sua capacidade de reduzir custos com escala, apesar de possuir parceiros automotivos.

Enquanto isso, o ecossistema de tecnologia autônoma se diversifica. Startups como a Bedrock Robotics, fundada por ex-funcionários da Waymo, estão atraindo investimentos vultosos para aplicar sistemas de direção autônoma em outros setores, como equipamentos de construção. A Bedrock arrecadou US$ 270 milhões em uma rodada Série B e já acumula mais de US$ 350 milhões levantados desde sua formação em 2024.

Contexto regulatório e outros movimentos do setor

Em meio a essa expansão, mudanças regulatórias surgem. A China proibiu as maçanetas de portas eletrônicas e ocultas, popularizadas pela Tesla, determinando que todos os carros novos vendidos no país devem ter aberturas mecânicas até 1º de janeiro de 2027. Há especulações de que a Europa possa adotar regra similar.

Outras empresas também se movimentam. A Uber promoveu Balaji Krishnamurthy a CFO; ele é um defensor público das parcerias da empresa em ride-hailing autônomo e tem assento no conselho da startup de AV Waabi. Paralelamente, a Uber foi considerada responsável como "agente aparente" de um motorista em um caso de agressão sexual, resultando em uma indenização de US$ 8,5 milhões, decisão que a empresa anunciou que irá recorrer.

Próximos passos

Com o novo capital, a Waymo focará em escalar suas operações globais enquanto navega pelo complexo cenário de regulamentação e pela busca pela sustentabilidade financeira. O sucesso dependerá de sua capacidade de equilibrar crescimento acelerado com segurança, custos e aceitação pública, em um mercado onde apenas empresas altamente capitalizadas, como Tesla, Waymo e Zoox, permanecem na corrida pelos veículos totalmente autônomos.