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Enquanto o mundo olha para o Príncipe Andrew e Bill Gates, os brasileiros correm para o "Ctrl+F" em busca de nomes conhecidos da nossa política e economia.

Afinal, o Brasil aparece nos arquivos? A resposta é sim, mas talvez não da forma como as correntes de WhatsApp estão contando.

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Nós analisamos os relatórios oficiais liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA para separar o fato do boato sobre três das figuras mais pesquisadas: Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva e Eike Batista.

1. Jair Bolsonaro e a "Conexão Bannon"

Diferente do que memes sugerem, o nome de Jair Bolsonaro não aparece na lista de voos do jato "Lolita Express" nem nos registros de visitas à ilha Little St. James.

No entanto, os novos documentos trazem transcrições de e-mails entre Epstein e associados de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e próximo à família Bolsonaro. Nos arquivos, há menções elogiosas à "nova direita" que emergia no Brasil em 2018.

O veredito dos documentos: Não há evidência de contato direto ou crime sexual envolvendo o ex-presidente. A citação é geopolítica e indireta, ligada ao círculo de influências que Epstein tentava cultivar dentro da direita conservadora americana, que, por sua vez, tinha laços com o Brasil.

2. Lula e as "Listas de Diplomatas"

O nome do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido alvo de intensa especulação. Nos arquivos brutos, o termo "Brazil" aparece dezenas de vezes, muitas ligadas a transações financeiras internacionais e cúpulas globais.

Documentos de 2005 a 2010 mostram que Epstein, buscando legitimidade, tentava se inserir em eventos onde chefes de estado estariam.

O veredito dos documentos: Lula não é citado como participante de festas ou viajante do avião de Epstein. As menções ao governo brasileiro da época referem-se a tentativas (muitas vezes frustradas) de Epstein de se apresentar como um "conselheiro econômico" para países em desenvolvimento. Fotos que circulam nas redes sociais colocando os dois juntos são, segundo perícia digital, montagens.

3. Eike Batista e o Agenciador de Modelos

Aqui a história muda de figura e se torna mais concreta. Os documentos detalham a relação próxima entre Epstein e Jean-Luc Brunel, o caça-talentos de modelos francês que era o "fornecedor" de garotas para o esquema.

Brunel tinha uma forte conexão com o Brasil e frequentava a alta sociedade do Rio de Janeiro e São Paulo. Nos e-mails recuperados, há discussões sobre "investidores brasileiros" e o interesse de Brunel em expandir sua agência no país durante o boom econômico do pré-sal.

O nome de Eike Batista surge no contexto de ser, à época, o homem mais rico do Brasil e alguém a quem Brunel desejava ser apresentado para "negócios de moda".

O veredito dos documentos: Embora cite o interesse em se aproximar do magnata brasileiro, os papéis não comprovam que Eike tenha participado dos crimes de Epstein. A conexão revela, porém, o quão perto a rede de tráfico sexual chegou da elite empresarial brasileira através do mundo da moda.

O Que Isso Significa?

A viralização desses nomes mostra como o caso Epstein se tornou uma arma política. Mas a leitura fria dos documentos revela algo mais perturbador do que a política partidária: Epstein operava como uma agência de inteligência paralela, coletando dados e buscando influência em todas as esferas de poder, seja na esquerda ou na direita, no Brasil ou nos EUA.

O Estado24h continua monitorando as 3 milhões de páginas. Se um novo nome brasileiro surgir, você saberá primeiro aqui.