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O bilionário Ken Griffin, fundador e CEO do gigante do mercado financeiro Citadel, afirmou nesta quarta-feira (17) que a euforia em torno da inteligência artificial está superando os ganhos reais de produtividade que a tecnologia tem proporcionado. A declaração foi feita durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Griffin, classificado como a 39ª pessoa mais rica do mundo com um patrimônio líquido de aproximadamente US$ 48,3 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, reconheceu o poder da IA, mas alertou que as expectativas estão muito à frente da realidade atual. "É hype? Claro", disse o executivo, referindo-se ao volume extraordinário de investimentos direcionados à infraestrutura de IA.

Investimentos bilionários e promessas grandiosas

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Para justificar seu ceticismo, Griffin citou números concretos: os gastos com data centers nos Estados Unidos devem ultrapassar US$ 500 bilhões apenas em 2025. Análises anteriores do Bank of America estimaram que Microsoft, Amazon, Google e Meta — líderes na construção desses centros — desembolsarão um total combinado de US$ 385 bilhões anualmente em infraestrutura de IA entre 2025 e 2028.

"Você não vai gerar esse tipo de gasto a menos que vá fazer a promessa de que vai mudar o mundo profundamente", argumentou Griffin. "De que outra forma você vai fazer as pessoas assinarem cheques de US$ 500 bilhões só este ano?", questionou.

Ceticismo sobre previsões alarmistas de emprego

O comentário do CEO da Citadel veio após ser questionado sobre previsões de líderes do setor, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, que afirmou que metade de todos os empregos de colarinho branco de nível básico poderia desaparecer em cinco anos. Griffin não endossou essa visão, colocando em dúvida se os sistemas de IA estão entregando os ganhos profundos de produtividade que justificariam tais previsões.

Griffin foi especialmente crítico em relação aos resultados da IA generativa no trabalho de escritório, dizendo que muitas vezes parecem impressionantes à primeira vista, mas se desfazem sob um escrutínio mais detalhado. Ele descreveu a revisão de um relatório gerado por IA que parecia perspicaz no início, mas se transformava em "lixo" nas partes mais profundas.

Divisão entre líderes tecnológicos e impacto transformador

Enquanto alguns líderes, como o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o cofundador da Microsoft, Bill Gates, apontam para avaliações superaquecidas e preveem uma bolha iminente, outros, como o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, defendem que os gastos refletem uma mudança fundamental na computação.

Apesar do ceticismo sobre o momento atual, Griffin não descarta o impacto de longo prazo da IA. Ele afirmou que a tecnologia será transformadora em áreas como centrais de atendimento (call centers) e desenvolvimento de software, e que o investimento maciço em tecnologia em geral já está beneficiando a economia. Para ele, a IA "reatribuiu poder ao chefe de tecnologia em todos os negócios dos Estados Unidos".