Raj Subramaniam, CEO global da FedEx, afirmou que robôs humanoides comuns não são suficientes para automatizar processos em seus armazéns. Em entrevista ao The New York Times, publicada no domingo, o executivo disse buscar "super robôs humanoides" com maior grau de liberdade de movimento, como "alguns cotovelos a mais".
Subramaniam assumiu o cargo de principal executivo da empresa de transporte e e-commerce em 2022, sendo apenas o segundo CEO na história da companhia. A FedEx processa cerca de 17 milhões de entregas diárias em todo o mundo.
Desafio técnico na logística
O principal obstáculo para a automação total, segundo o CEO, está nas operações de carga e descarga de caminhões. "É um problema muito difícil para a robótica resolver — as encomendas vêm em todos os tamanhos, formatos e pesos", explicou Subramaniam. Por essa razão, a empresa não busca imitações perfeitas da forma humana, mas sim adaptações que superem suas limitações físicas para tarefas específicas.
O projeto ainda está em fase piloto e "não está pronto para o horário nobre", conforme declarou o executivo. Além da robótica, a FedEx está investindo pesadamente em inteligência artificial, utilizando o vasto volume de dados de suas entregas para prever com precisão os prazos de entrega para os clientes.
Corrida pela automação no setor
A FedEx não está sozinha na busca por automação avançada. Gigantes do e-commerce e da logística como Amazon e GXO também testam robôs humanoides em suas operações. A Amazon, por exemplo, já possui uma frota de mais de 750.000 robôs em seu processo de fulfillment, que auxiliam na separação, embalagem e transporte de pacotes até as docas de carregamento.
Um relatório da Morgan Stanley em fevereiro estimou que esses robôs poderiam economizar US$ 10 bilhões anuais para a Amazon até 2030. Já a GXO tem uma abordagem agressiva na categoria, conforme revelou seu diretor de automação à Business Insider em agosto.
Debate sobre o design ideal
Apesar do investimento do setor, especialistas questionam se a forma humana é a mais eficiente para tarefas em armazéns. Em entrevista à TechCrunch em 2023, o diretor de tecnologia da Boston Dynamics, empresa referência em robótica, sugeriu que o design humanoide pode não ser o ideal para todas as funções logísticas.
Enquanto o debate técnico continua, o foco imediato da FedEx permanece no desenvolvimento de suas soluções proprietárias. O desempenho da empresa no mercado reflete otimismo, com as ações da FedEx valorizando aproximadamente 11% no último ano.