O CEO da Snowflake, Sridhar Ramaswamy, alertou que as maiores empresas de software do mundo correm o risco de serem reduzidas a meras fontes de dados para os grandes modelos de inteligência artificial. A declaração foi feita em um episódio do "Big Technology Podcast", de Alex Kantrowitz, publicado na semana passada.
Ramaswamy, que assumiu o comando da Snowflake em 2024 após cofundar a startup de busca com IA Neeva, afirmou que os principais criadores de modelos de IA buscam criar um cenário onde todos os dados corporativos estejam facilmente disponíveis para eles. "Todo o resto, o mundo, é apenas um canal de dados burro que alimenta esse grande cérebro", disse o executivo.
Medo de obsolescência e estratégia de sobrevivência
O CEO da Snowflake admitiu que a empresa precisa operar com um certo "medo" de que os usuários parem de usar agentes de IA desenvolvidos por empresas de software tradicionais. Em vez disso, eles poderiam preferir um agente unificado e abrangente, capaz de acessar dados de múltiplas fontes, incluindo a Snowflake.
A solução proposta por Ramaswamy é dar aos clientes a liberdade de escolha: permitir que decidam como querem acessar seus dados – seja diretamente através de seus próprios agentes de IA, seja por meio de produtos como o ChatGPT.
Expansão das labs de IA ameaça gigantes do software
Os comentários do CEO da Snowflake refletem uma mudança significativa no mercado. Nos últimos meses, os laboratórios de IA evoluíram de fornecedores de infraestrutura para provedores de software completos. A OpenAI, por exemplo, entrou nos mercados de vendas, suporte e análise de documentos, ameaçando empresas consolidadas como Salesforce e Oracle.
Este movimento contribuiu para um início de mês turbulento para as ações do setor de software, que arrastaram para baixo os índices de tecnologia e o mercado como um todo. A venda em massa foi precipitada pelo anúncio de uma nova ferramenta de IA da Anthropic, capaz de realizar uma série de tarefas administrativas para profissionais da área jurídica.
Visão contrária: software legado tem valor consolidado
Em contraponto ao cenário temido por Ramaswamy, o sócio-geral da Andreessen Horowitz, Anish Acharya, argumentou em um podcast que as empresas de software estão sendo punidas desnecessariamente pelo mercado. Segundo o investidor, o software legado não pode ser substituído com facilidade, pois não valeria a pena usar IA para todas as funções de negócio.
Acharya destacou que o software representa entre 8% e 12% das despesas de uma empresa. Portanto, automatizar a criação de ferramentas de planejamento de recursos ou folha de pagamento traria uma economia de apenas cerca de 10%. A recomendação do VC é que as companhias se concentrem em itens de maior impacto, como o desenvolvimento de seus negócios principais ou a otimização de outros custos.
O debate sobre o futuro do software tradicional diante da ascensão da IA intensifica-se em um momento de volatilidade para o setor, com investidores avaliando o real poder disruptivo da nova tecnologia e a capacidade de adaptação das empresas estabelecidas.