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A Ricursive Intelligence, startup que desenvolve ferramentas de inteligência artificial para automatizar o design de chips de computador, anunciou a captação de US$ 335 milhões em rodadas de investimento em apenas quatro meses, alcançando uma avaliação de mercado de US$ 4 bilhões. A empresa foi fundada por Anna Goldie e Azalia Mirhoseini, ex-funcionárias do Google Brain e da Anthropic, conhecidas no setor pelo desenvolvimento do projeto Alpha Chip.

A rodada Série A de US$ 300 milhões foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, ocorrendo poucos meses após um aporte semente de US$ 35 milhões liderado pela Sequoia Capital. Diferente de outras startups do setor, a Ricursive não fabrica chips, mas projeta ferramentas de IA para que outras empresas possam fazê-lo de forma mais rápida e eficiente. Entre seus investidores e clientes-alvo estão gigantes como Nvidia, AMD e Intel.

Trajetória das fundadoras e origem da tecnologia

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As cofundadoras Anna Goldie (CEO) e Azalia Mirhoseini (CTO) têm carreiras que caminharam em paralelo. Elas se conheceram na Universidade Stanford, começaram e saíram do Google Brain no mesmo dia, fizeram o mesmo na Anthropic e decidiram fundar a Ricursive juntas. No Google, foram responsáveis pelo projeto Alpha Chip, uma ferramenta de IA que conseguia gerar layouts complexos para chips em cerca de seis horas – um processo que normalmente leva mais de um ano para equipes humanas.

“Queremos permitir que qualquer chip, seja um chip personalizado ou mais tradicional, seja construído de forma automatizada e muito acelerada. Estamos usando IA para fazer isso”, explicou Mirhoseini em entrevista ao TechCrunch. A tecnologia funciona com um sistema de “sinal de recompensa” que avalia a qualidade de um design, permitindo que a IA aprenda e melhore continuamente após milhares de simulações.

Mercado e visão de futuro

A plataforma da Ricursive promete gerenciar todo o processo de design, desde o posicionamento dos componentes até a verificação final, utilizando também modelos de linguagem (LLMs). A startup visa clientes em qualquer setor que produza eletrônicos e necessite de chips personalizados, desde empresas de hardware até laboratórios de IA.

As fundadoras acreditam que a aceleração no design de chips é crucial para o avanço da inteligência artificial de forma mais eficiente e sustentável. “Os chips são o combustível para a IA”, afirmou Anna Goldie. “Ao construir chips mais poderosos, essa é a melhor maneira de avançar nessa fronteira.” Ela projeta que arquiteturas personalizadas podem trazer melhorias de até 10 vezes no desempenho por custo total de propriedade.

Embora não revelem nomes de clientes iniciais, as fundadoras confirmam que já foram contatadas por todas as grandes empresas de semicondutores. A visão de longo prazo da empresa inclui contribuir para o desenvolvimento da Inteligência Geral Artificial (AGI), permitindo que sistemas de IA participem ativamente do design de seus próprios “cérebros” computacionais.