Jolie Hunt, fundadora e CEO da empresa de comunicação Hunt & Gather, tem se destacado como uma das figuras mais fashion no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, na Suíça. Aos 47 anos, a executiva, que já participou do evento mais de 20 vezes, rejeita o dress code não oficial do encontro — composto por cores neutras e peças de luxo discreto — e transforma a cidade em sua passarela pessoal.
Em meio a líderes mundiais de negócios e governo, Hunt usa vestidos justos, sapatos de salto alto chamativos e bolsas de grife, em um contraste marcante com os casacos de inverno e botas práticas predominantes. "Não posso dizer quantas pessoas me param e dizem: 'Adorei o que você está vestindo'", afirmou Hunt em entrevista ao *Business Insider*.
Uma estratégia de viagem e estilo
A jornada fashion de Hunt começa antes mesmo de ela deixar Nova York. "Eu sempre viajo de preto", disse ela, explicando que gosta de seguir um tema em suas produções. Para a viagem a Davos, em 18 de janeiro, ela embarcou usando um moletom com gola de pele da Balenciaga, no valor de US$ 1.650, calças de couro e tênis prateados da Givenchy, carregando duas malas Louis Vuitton.
Hunt nunca despacha bagagens, considerando essa uma de suas "super habilidades". Ela planeja cada peça, incluindo pijamas, com um propósito definido. Para esta edição do Fórum, ela escolheu o vermelho como cor temática e selecionou sapatos e acessórios para complementar os looks.
Produções de alto impacto e luxo
Um dos primeiros looks usados em Davos foi um vestido curto estampado da Balmain, avaliado em US$ 3.390, combinado com meias finas, bombas de US$ 575 da parceria Larroudé x Libertine e uma bolsa Hermès. "É uma Birkin de crocodilo preto; é muito especial", descreveu Hunt. "Eu normalmente não a traria em uma viagem, mas ela combina com tudo, e estou com todos os 'mestres do universo', então é melhor trazer as armas pesadas."
Ela usou esse vestido na segunda-feira para hospedar um jantar que organiza, o "Stragglers Dinner", que reúne membros de várias empresas e veículos de mídia.
Confiante e "otimizada para a alegria"
Na quarta-feira, a executiva usou um vestido vermelho da Sportmax (US$ 1.195) sob um casaco da Balenciaga (US$ 3.990), comprado especificamente para a viagem. O look foi completado com a mesma bolsa Hermès, botas até o joelho e meias-calças da Saint Sass com a palavra "killer" estampada na coxa.
"Estou na parte da minha vida 'otimizada para a alegria'", declarou Hunt. "Talvez isso venha com a idade e o status, mas acho que, por estar um pouco mais velha e ter feito isso várias vezes, me sinto muito mais livre em minhas escolhas [de moda]." Ela usou essa produção no café da manhã "Mulheres na Tecnologia" da Cisco, em encontros para drinks com executivos e na festa da Semafor.
Um contraponto ao conservadorismo de Davos
Na experiência de Hunt, roupas chamativas são incomuns no Fórum Econômico Mundial. "Ninguém usa cor. É honestamente deprimente", comentou. "Você olha para uma sala e não vê uma única pessoa que não esteja usando azul-marinho, cinza ou preto — homens e mulheres."
Ela atribui isso ao clima gelado da cidade, que torna saltos e vestidos pouco práticos, e à natureza reservada do evento. "Por anos, isso foi meio que um clube do bolinha", analisou. "Os homens se vestiam de forma muito conservadora, e acho que, conforme as mulheres foram integradas ao programa, elas também mantiveram o conservadorismo. Não queríamos causar muito rebuliço."
Com cada produção, porém, Hunt está mudando essa dinâmica. Ela afirma que suas roupas lhe trazem confiança e energia. "Em lugares como este, é um pouco a sobrevivência do mais apto, para ser honesta", refletiu. "Todo mundo está avaliando sua afiliação, seu visual ou o que você pode fazer por eles. A moda é o sinal mais rápido de que você é intimidante, interessante ou uma série de outras coisas."