Os CEOs das empresas de inteligência artificial Google DeepMind e Anthropic afirmaram, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que já observam os primeiros impactos da tecnologia em funções de nível júnior dentro de suas próprias organizações. Demis Hassabis, da DeepMind, e Dario Amodei, da Anthropic, projetaram mudanças significativas no mercado de trabalho nos próximos anos.
Os executivos participaram de uma entrevista conjunta na terça-feira (16) na Suíça. Eles destacaram que áreas como software e programação estão entre as primeiras a sentir os efeitos da automação impulsionada por IA, com uma desaceleração perceptível nas contratações para cargos de entrada e estágios.
Previsões para o mercado de trabalho
Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, declarou: "Acho que vamos ver este ano os começos de talvez isso impactando o nível júnior". Ele complementou: "Há algumas evidências, posso sentir isso nós mesmos, talvez como uma desaceleração nas contratações nisso", referindo-se especificamente a funções de entrada e programas de estágio.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, concordou com a avaliação e manteve sua previsão anterior de que a IA poderia eliminar metade de todos os empregos de colarinho branco de nível inicial. "Agora acho que talvez estejamos começando a ver apenas os pequenos começos disso, em software e codificação", afirmou.
Impacto interno e adaptação
Amodei detalhou que já visualiza mudanças dentro da própria Anthropic. "Posso ver dentro da Anthropic, onde posso olhar para um tempo em que, na extremidade mais júnior e depois na extremidade mais intermediária, na verdade precisamos de menos e não mais pessoas", disse o executivo.
Ele acrescentou que a empresa já está "pensando em como lidar com isso dentro da Anthropic de uma maneira sensata". Amodei alertou que o ritmo exponencial do avanço da IA pode superar a capacidade de adaptação da sociedade em um período entre um e cinco anos.
Chamado para ação institucional
Ambos os líderes já haviam alertado anteriormente que o impacto potencial da IA na economia e nos mercados de trabalho pode exigir mudanças institucionais. Eles defendem a criação de organizações internacionais para governar o desenvolvimento da IA e intervenções econômicas para mitigar os resultados mais desastrosos.
As declarações ocorrem em um momento de intenso debate sobre os efeitos da inteligência artificial na empregabilidade, especialmente para profissionais no início de carreira em setores baseados em conhecimento.