Publicidade

Os principais executivos dos maiores bancos globais têm sido unânimes em um ponto durante as recentes divulgações de resultados: a inteligência artificial generativa levará a uma redução no número de funcionários. Em declarações públicas e em memorandos internos, CEOs como Jamie Dimon (JPMorgan Chase), David Solomon (Goldman Sachs) e Charles Scharf (Wells Fargo) sinalizaram que a tecnologia será usada para aumentar a eficiência e realizar mais trabalho com menos pessoas.

O movimento ocorre em um contexto em que as instituições financeiras, que expandiram seus quadros durante o boom de negócios da pandemia, vêm enxugando suas equipes nos últimos anos. A expectativa é que, mesmo com uma possível retomada nas fusões e aquisições, a IA permita conter o crescimento do head count (número total de empregados) e até reduzir certos cargos.

Eficiência como prioridade máxima

Publicidade

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, tem sido direto ao abordar o tema. "Vai eliminar empregos", afirmou em uma conferência da Fortune em dezembro. Em comunicados mais recentes, ele detalhou que a IA afetará todas as funções, automatizando tarefas como anotações e sumarização. Apesar disso, Dimon prevê que a eficiência gerada pode levar a novas contratações em áreas como cyber segurança, para combater fraudes cada vez mais sofisticadas.

Jeremy Barnum, diretor financeiro (CFO) do JPMorgan, reforçou durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre que a orientação é para que as equipes "resistam ao crescimento do head count sempre que possível" e priorizem a eficiência. Marianne Lake, responsável pelo negócio de varejo do banco, projetou que a produtividade da equipe de operações pode aumentar entre 40% e 50% nos próximos cinco anos, o que resultaria em um crescimento líquido mais lento do número de funcionários.

Contenção de custos e "pessoas de alto valor"

No Goldman Sachs, o CEO David Solomon e outros executivos divulgaram um memorando em 2025 anunciando a terceira iteração da iniciativa OneGS. O documento afirma que a IA impulsionará a eficiência, o que significará desacelerar as contratações e reduzir funções. "Vamos conter o crescimento do head count até o final do ano, além de uma redução limitada de cargos em toda a firma", dizia o comunicado.

Em entrevista à Axios, Solomon esclareceu a estratégia: "Precisamos de mais pessoas de alto valor". A ideia é usar a economia gerada pela IA para realocar recursos e contratar talentos especializados em áreas estratégicas, como atendimento ao cliente, enquanto funções mais operacionais e de desenvolvimento de software são impactadas.

Produtividade em alta e milhares de horas economizadas

No Citigroup, que passa por uma reestruturação multianual para economizar US$ 2,5 bilhões e cortar cerca de 20 mil empregos, a IA já mostra resultados concretos. A CEO Jane Fraser informou que as revisões automatizadas de código impulsionadas por IA já ultrapassaram 1 milhão em 2025, "poupando tempo considerável e criando cerca de 100 mil horas de capacidade semanal" para os desenvolvedores.

Mark Mason, ex-CFO do Citi, disse esperar que o número de funcionários continue em tendência de queda "à medida que continuamos a melhorar a produtividade e ferramentas como a IA". Fraser também destacou ganhos em outras áreas, como serviço ao cliente e assessoria de investimentos.

"Quem diz que não vai reduzir empregos não sabe do que fala"

Charles Scharf, CEO do Wells Fargo, foi um dos mais enfáticos. O banco já reduziu seu quadro em mais de 25% desde meados de 2020. Em entrevista à Reuters, Scharf foi taxativo: "Qualquer um que diga hoje que não acha que terá menos head count por causa da IA ou não sabe do que está falando ou simplesmente não está sendo totalmente honesto sobre isso".

Ele revelou que ferramentas de IA generativa já tornaram os engenheiros do Wells Fargo 30% a 35% mais produtivos. A tecnologia, segundo ele, permitirá fazer mais com menos pessoas em diversas funções, incluindo conformidade, jurídico, call centers e equipes bancárias.

Retreinamento e novas funções

Brian Moynihan, CEO do Bank of America, apresentou uma visão focada no retreinamento da força de trabalho. Ele afirmou que a adoção da IA generativa reduziu o tamanho de alguns departamentos, mas a chave está em "redistribuir as pessoas e requalificá-las".

Em teleconferência de resultados, Moynihan deu um exemplo concreto: o uso de técnicas de IA reduziu em 30% a parte de codificação no fluxo de introdução de um novo produto, o que equivale a uma economia de cerca de 2 mil pessoas em uma equipe de 18 mil codificadores. A assistente virtual Erica, do banco, já realiza 1,4 bilhão de interações digitais com clientes, economizando o equivalente a 11 mil funcionários em tempo integral.

Sharon Yeshaya, CFO da Morgan Stanley, citou um caso prático de operações: "Costumávamos ter duas equipes necessariamente verificando uma à outra em diferentes documentações. Agora temos uma equipe humana e uma equipe de IA".

Os executivos concordam que, embora a transição exija gestão cuidadosa, a adoção da IA é inevitável e crucial para a competitividade futura. O setor financeiro global se prepara para uma nova era de operações, onde a produtividade ampliada pela tecnologia redefine o tamanho e a composição das suas forças de trabalho.