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O fim da noite deste domingo (1º) foi marcado por caos e longas horas de espera no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Passageiros com destino ao Rio de Janeiro tiveram voos cancelados devido às fortes chuvas que atingiram a capital fluminense, impedindo pousos e decolagens e afetando diretamente a ponte aérea. As companhias Gol, LATAM e Azul concentraram a maior parte dos transtornos.

O iG acompanhou a situação no aeroporto e o deslocamento de passageiros da LATAM realocados para uma unidade hoteleira próxima. Apesar da promessa de hospedagem, até o fim da noite a maioria ainda aguardava do lado de fora do hotel, em filas extensas, à espera da liberação para o check-in.

Impacto nos passageiros e falta de assistência

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A engenheira carioca Roberta Dantas Pereira, que retornava de férias com a família, teve o voo cancelado. “Falaram que não tinha mais nenhum voo para o Santos Dumont hoje, de nenhuma companhia, e que a gente era obrigado a ficar aqui e pegar um voo amanhã. O mais cedo é às 5h45. Infelizmente eu tive que aceitar, porque trabalho amanhã”, relatou. Segundo ela, a companhia ofereceu apenas hotel e transporte, alegando “muita chuva no Rio de Janeiro” como motivo.

O engenheiro Rodrigo Maciel, também do Rio, descreveu o impacto profissional. “Amanhã seria meu retorno de férias e já tenho demanda para entregar. Agora é explicar no trabalho o transtorno que a gente está enfrentando”. Ele confirmou que foi oferecido hotel, transporte e um novo voo na madrugada.

Já a analista financeira Monize Montenegro relatou uma sequência de mudanças e cancelamentos ao longo do dia, que resultaram na perda de um dia inteiro de trabalho. “Meu voo era às 17h05, depois mudaram várias vezes até ser cancelado. O dia de trabalho a gente já vai perder”, contou. Ela afirmou ainda que não recebeu alimentação durante todo o período de espera. “Deram apenas uma carta de contingência, como se isso resolvesse”.

Contexto meteorológico severo no Rio

Os cancelamentos refletem a gravidade do cenário enfrentado no Rio de Janeiro. De acordo com o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), a cidade entrou em Estágio 2 na noite de domingo, o segundo nível em uma escala que vai até cinco, após ser atingida por uma forte linha de instabilidade.

Os maiores volumes de chuva foram registrados na Zona Sul, com 47,6 mm em Copacabana, além de acumulados expressivos no Vidigal e na Rocinha. A tempestade provocou bolsões d’água em diversos pontos, incluindo vias como a Avenida Brasil, Linha Amarela e Estrada do Galeão, além de quedas de árvores em áreas da Zona Norte e Zona Oeste.

Os ventos chegaram a ultrapassar 80 km/h, com registro de rajadas muito fortes na estação da Marambaia, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Apesar da previsão de redução da intensidade, ainda havia expectativa de chuva fraca a moderada até o fim do domingo.

Orientação profissional em meio ao caos

Em meio ao tumulto, o agente de viagens Graco Silva, CEO da Gracco Viagens, orientava passageiros sobre seus direitos. “A agência de viagem acompanha o cliente o tempo todo, orienta sobre hospedagem, alimentação e reacomodação, e garante que a companhia aérea cumpra o que é devido”, explicou. Segundo ele, o suporte contínuo traz segurança em momentos de incerteza.

O cenário reforça que os transtornos no transporte aéreo foram provocados por condições meteorológicas severas que impactaram diretamente a operação dos aeroportos do Rio e geraram reflexos imediatos em todo o sistema aéreo, especialmente na movimentada ponte Rio–São Paulo.