Publicidade

Em sua coluna no portal iG, o humorista, ator e escritor Oscar Filho publicou um texto no qual relata, de forma satírica, uma sessão de terapia fictícia tendo o Brasil como paciente. A narrativa, intitulada "O Brasil no Divã", utiliza a metáfora psicanalítica para criticar aspectos do comportamento social e político do país.

Segundo o texto, uma psicanalista amiga do colunista teria atendido o Brasil, que chegou atrasado em "uns 526 anos". O paciente é descrito como alguém que fala alto, interrompe a terapeuta e chega reclamando do passado, presente e futuro, sem assumir responsabilidades. "Tudo é culpa de alguém, mas nunca dele", escreve Filho.

Nostalgia patológica e ansiedade

Publicidade

O colunista desenvolve a sátira apontando um "diagnóstico" de "nostalgia patológica". O Brasil, na narrativa, vive dizendo que "antes era melhor", mas não sabe explicar quando ou para quem, enquanto "requenta" elementos do passado. Paralelamente, é caracterizado como ansioso, desejando um "futuro perfeito, rápido, imediato e, de preferência, sem esforço pessoal".

Oscar Filho, um dos pioneiros do stand-up no Brasil e ex-integante do CQC, acumula experiência em humor e observação social. Ele foi indicado ao Emmy Internacional em 2024 e mantém o solo "Putz Grill..." há 11 anos.

Emergência emocional permanente e rejeição à análise

A crônica prossegue descrevendo um "estado grave" de "emergência emocional permanente", onde tudo é tratado como urgente, escândalo ou "fim do mundo". A tentativa da terapeuta de trazer o paciente para o presente é rejeitada, com a justificativa de que ele estava "resolvendo o passado e com medo do futuro".

O suposto diagnóstico final da psicanalista, conforme relatado por Filho, é que o problema do Brasil é o "excesso": "Excesso de estímulo, excesso de certeza, excesso de barulho. Uma mente assim não reflete. Ela só grita". A sátira também aborda a carência por figuras paternais e maternas na liderança e a contradição de reclamar da solidão enquanto trata todos como inimigos.

Fuga da sessão e conclusão simbólica

O texto culmina com a reação violenta do Brasil à pergunta final da terapeuta: "O que você pode fazer diferente amanhã?". A resposta, segundo a narrativa, foi um grito grosseiro, o paciente levantando os dedos do meio, acusando a profissional de parcialidade e saindo batendo a porta.

Ainda tentando um insight, a terapeuta sugere que a raiz dos problemas poderia estar "nos pais". O paciente, então, grita "CALA BOCA, PORTUGAL!", tira a bandeira que usava como capa e sai correndo pelas ruas de havaianas, sob o olhar de um "cãozinho caramelo". A crônica foi publicada sob o copyright do iG Publicidade e Conteúdo (2000-2026).