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Copa do Mundo 2026 já mobiliza 71% dos brasileiros, aponta pesquisa Ipsos
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Copa do Mundo 2026 já mobiliza 71% dos brasileiros, aponta pesquisa Ipsos

Estudo revela que torneio é fenômeno cultural que atravessa gerações, mas com novas formas de consumo entre os mais jovens.

Redação
Redação

14 de janeiro de 2026 ·
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A Copa do Mundo FIFA de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, já começou no imaginário coletivo dos brasileiros. De acordo com o relatório "Predictions 2026", da empresa de pesquisa Ipsos, 71% dos brasileiros planejam assistir ao torneio, índice superior à média global. O estudo, que analisa expectativas para o evento com mais de um ano de antecedência, confirma o status do futebol como um dos poucos rituais capazes de unir diferentes classes sociais, plataformas e gerações no país.

O levantamento, no entanto, revela nuances importantes no perfil de interesse. O maior entusiasmo está concentrado entre os homens da Geração Z, enquanto o interesse diminui significativamente entre os homens da geração baby boomer no Brasil – uma tendência que inverte a lógica observada em outros países. Essa mudança sugere uma reapropriação do futebol como linguagem cultural pelos mais jovens.

Consumo fragmentado e multiplataforma

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Para a Geração Z, assistir à Copa não significa necessariamente acompanhar os 90 minutos inteiros de uma partida, mas sim participar da conversa gerada em torno do evento. O torneio é vivido em múltiplas telas, recortado em highlights, memes e comentários em tempo real nas redes sociais. Essa transformação no consumo exige que marcas, emissoras e plataformas desenvolvam narrativas mais fragmentadas e estratégias multiplataforma para alcançar relevância em contextos diversos.

"A Copa do Mundo deixou de ser apenas televisão ligada na sala", analisa o relatório. O evento hoje é um fenômeno cultural híbrido, onde a experiência linear convive com o consumo em pílulas de segundos.

Crise climática e ansiedades globais

Outro dado do estudo chama atenção pela carga simbólica: quase metade dos brasileiros acredita que ao menos um jogo pode ser cancelado ou interrompido por condições climáticas extremas. A Copa de 2026, que será disputada em pleno verão do hemisfério norte e em três países, introduz a crise climática como uma variável real para o espetáculo esportivo.

Esse cruzamento entre entretenimento e percepção de risco revela um público mais consciente e cético. O futebol, tradicionalmente tratado como uma forma de escapismo, passa a ser atravessado pelas mesmas ansiedades que moldam o noticiário internacional, o consumo e a política. A Copa segue sendo desejada, mas já não é vista como uma bolha imune ao mundo real.

Expectativas esportivas e projeções de mercado

Em termos esportivos, a pesquisa global da Ipsos indica que a maioria dos entrevistados não acredita na repetição do título da Argentina, campeã em 2022. Países como Brasil e Japão mantêm um nível de confiança em suas seleções que beira o desejo, demonstrando que o torneio é tanto uma projeção racional quanto um exercício de fé para suas torcidas.

Para o mercado, os números funcionam como alerta e oportunidade. Há audiência, interesse e engajamento garantidos, mas eles não são mais automáticos. "A Copa de 2026 exigirá uma leitura fina das diferenças geracionais", conclui o relatório. O evento começa muito antes do primeiro apito porque funciona como um espelho das expectativas, tensões e da relação de um país com seu futuro.

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