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Criança de 5 anos é levada do Brasil a Portugal em voo clandestino, diz mãe
Boletim Diário

Criança de 5 anos é levada do Brasil a Portugal em voo clandestino, diz mãe

Menino viajou com o pai e a avó usando documentos falsos e sem plano de voo registrado, contrariando decisão judicial.

Redação
Redação
15 de dezembro de 2025

Uma criança de cinco anos foi levada do Brasil para Portugal pelo pai em um voo clandestino, sem autorização da mãe e em desacordo com uma decisão da Justiça Federal do Piauí. A mãe, Ana Beatriz Sampaio, 36, funcionária pública federal de Teresina, registrou boletim de ocorrência por sequestro internacional em julho deste ano. O caso foi revelado em investigação do Fantástico, da TV Globo.

O menino, que possui dupla nacionalidade, estava no Brasil para tratamento de saúde quando a Justiça Federal determinou, em setembro de 2023, a retenção de seus passaportes e proibiu sua saída do país. A última vez que a mãe viu o filho foi em 27 de junho, durante uma festa na escola. O acordo era que ele passaria metade das férias de julho com o pai, José Alberto Mendes Sampaio, 47, dono de um hotel de luxo em Portugal.

Rota do voo irregular

Investigação apurou que, em 4 de julho, o menino, o pai e a avó paterna viajaram de carro até um aeródromo em Altos (PI) e embarcaram em uma aeronave sem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para táxi aéreo. O piloto negou participação e não havia plano de voo registrado para a operação.

O grupo seguiu para Paragominas (PA) e depois para Oiapoque (AP) em outro avião, utilizando documentos falsos. Não há registro oficial da saída da criança do território brasileiro. Em Portugal, o menino chegou à residência do pai em Viana do Castelo em 6 de julho.

Disputa judicial internacional

A disputa pela guarda da criança ocorre simultaneamente no Brasil e em Portugal. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região definiu que a residência habitual do menor é em Portugal, onde tramita o processo de guarda. A defesa da mãe informou que vai recorrer dessa decisão.

Enquanto isso, a Justiça de Portugal concedeu a guarda unilateral ao pai, que agora decide sobre as visitas. Ana Beatriz só reencontrou o filho após cinco meses, em um encontro supervisionado que durou uma hora.

Posições das partes e órgãos

A defesa do pai alega que a mãe teria trazido a criança para o Brasil de forma irregular anteriormente. Procurada, a ANAC destacou que a identificação de passageiros é responsabilidade das empresas aéreas, com multas que variam de R$ 10 mil a R$ 25 mil em caso de irregularidade, e que restrições judiciais são de competência da Polícia Federal.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) explicou que voos visuais podem dispensar plano de voo prévio e que o controle migratório é função da PF. Sobre o caso, Ana Beatriz resumiu: “A sensação é de um luto de um filho vivo”.

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