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O número de downloads de aplicativos móveis em todo o mundo caiu pelo quinto ano consecutivo em 2025, mas o gasto dos consumidores com compras dentro dos apps e assinaturas disparou, atingindo um recorde. Segundo relatório anual da empresa de inteligência de aplicativos Appfigures, os downloads globais de apps e jogos para celular nas lojas App Store e Google Play somaram 106,9 bilhões no ano passado, uma queda de 2,7% em relação a 2024. Em contrapartida, o gasto dos consumidores subiu 21,6%, alcançando a marca estimada de US$ 155,8 bilhões.

Os dados indicam que desenvolvedores e publicadores têm sido bem-sucedidos em monetizar seus usuários atuais, mesmo com uma base menor de novos downloads. A mudança reflete a consolidação de um modelo de negócios baseado em pagamentos recorrentes e micropagamentos, que se mostrou mais sustentável para a indústria.

Jogos perdem participação no faturamento total

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O relatório também aponta uma mudança contínua no ecossistema, com os jogos para celular perdendo espaço como principal motor de receita. Em 2025, os consumidores gastaram US$ 72,2 bilhões em jogos móveis, o que representa cerca de 46% de todo o gasto com apps. Embora esse valor seja 10% maior que o do ano anterior, o gasto com aplicativos que não são jogos cresceu ainda mais rápido.

Os gastos com apps não relacionados a jogos aumentaram 33,9% na comparação anual, alcançando US$ 82,6 bilhões em 2025. Essa inversão consolida uma tendência de diversificação da economia de aplicativos, que agora depende menos exclusivamente do setor de games.

Queda acentuada nos downloads de jogos

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Enquanto a receita subia, os downloads continuaram em trajetória de declínio. Após atingir um pico histórico de 135 bilhões em 2020, durante a pandemia, as instalações vêm caindo ano a ano. O número de 2025 (106,9 bilhões) é menor que os 109,8 bilhões de 2024 e segue uma desaceleração que já havia sido observada entre 2023 e 2024, com queda de 3,3%.

A retração foi mais acentuada entre os jogos móveis, que tiveram 39,4 bilhões de downloads em 2025, uma queda de 8,6% em relação ao ano anterior. Já os downloads de aplicativos que não são jogos praticamente se estabilizaram, com um leve aumento de 1,1%, totalizando 67,4 bilhões de instalações.

Mercado dos EUA: gasto alto com menos downloads

O relatório detalha ainda o comportamento do mercado norte-americano. Lá, os consumidores gastaram cerca de US$ 55,5 bilhões em todos os aplicativos móveis em 2025, um aumento de 18,1% em relação aos US$ 47 bilhões de 2024. Os downloads, no entanto, caíram 4,2%, de 10,4 bilhões para 10 bilhões.

Os gastos com apps que não são jogos nos EUA subiram 26,8% no período, para US$ 33,6 bilhões. Já os gastos com jogos cresceram apenas 6,8%, totalizando US$ 21,9 bilhões. Em termos de downloads, os aplicativos não relacionados a games foram baixados 7,1 bilhões de vezes, enquanto os jogos tiveram 2,9 bilhões de instalações.

Ecosistema de negócios se fortalece

A mudança para um modelo baseado em pagamentos contínuos não apenas sustentou as receitas dos desenvolvedores, mas também alimentou um ecossistema de empresas de suporte. Startups como a RevenueCat, plataforma de gerenciamento de assinaturas que levantou US$ 50 milhões em uma Série C em 2025, e a Appcharge, que ajuda jogos móveis a melhorar sua monetização e anunciou uma Série B de US$ 58 milhões em agosto, são exemplos desse movimento. Na mesma linha, a Liftoff Mobile, empresa de marketing e monetização de apps, registrou pedido de abertura de capital (IPO) nesta semana.

Os analistas do setor apontam que, apesar da possível resistência dos consumidores à proliferação de assinaturas, esse modelo oferece uma previsibilidade de receita crucial para o desenvolvimento contínuo e a inovação no segmento de aplicativos móveis.