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A Bolt Data and Energy, empresa de desenvolvimento de data centers cofundada no final do ano passado pelo ex-CEO do Google, Eric Schmidt, está negociando um acordo com o Google para um grande projeto no Oeste do Texas. O acordo permitiria o início da construção de um campus de data centers, com a gigante de tecnologia considerando um compromisso inicial de 250 megawatts de capacidade, de acordo com fontes próximas às tratativas.

As negociações, ainda confidenciais, ilustram a corrida das grandes empresas de tecnologia para garantir energia, infraestrutura física e terrenos necessários para alimentar o boom da inteligência artificial. O Google anunciou no ano passado planos de construir US$ 40 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA no Texas até 2027.

Investimento e expansão planejada

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Em dezembro, a Bolt concluiu sua primeira rodada de financiamento, levantando US$ 150 milhões de investidores. Desse total, US$ 50 milhões vieram da Texas Pacific Land Corporation (TPL), uma empresa de capital aberto que possui grandes extensões de terra no Oeste do Texas. Como parte do investimento, a Bolt desenvolverá data centers em terrenos da carteira da TPL.

Um documento de apresentação da Bolt, obtido pelo Business Insider, detalha que os terrenos da TPL forneceriam acesso a energia e água abundantes para resfriamento, commodities que têm enfrentado pressão com a explosão de data centers nos EUA. O plano de desenvolvimento começa com uma "instalação inicial de 250 megawatts" e se expande em incrementos de 250-500 megawatts até se tornar um campus de 5 gigawatts.

Corrida pela IA e desafios financeiros

O projeto da Bolt é um entre vários de grande escala idealizados no Texas para atender à demanda por IA. A Fermi, empresa pública cofundada pelo ex-governador do Texas e ex-secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, planeja um campus de 11 gigawatts em Amarillo. Em dezembro, a Amazon retirou um adiantamento em dinheiro de US$ 150 milhões que havia prometido como parte de um acordo preliminar para ancorar o projeto da Fermi, causando uma queda de 50% nas ações da empresa.

Grandes bancos credores que emprestaram US$ 38 bilhões para financiar a construção de campi de data centers no Condado de Shackleford, Texas, e em Port Washington, Wisconsin, para a Oracle e a OpenAI, enfrentam dificuldades para vender partes do enorme empréstimo. Os problemas decorrem, em parte, da preocupação com o possível estresse no crédito da Oracle devido aos seus gastos massivos com IA.

Para amenizar preocupações, a Oracle anunciou que levantará até US$ 50 bilhões em dívida e capital próprio em 2026 para continuar sua expansão em IA, mantendo um "balanço patrimonial sólido com grau de investimento".

Onda recorde de gastos em infraestrutura

A Alphabet, controladora do Google, revelou em seu relatório de resultados do quarto trimestre que planeja gastar entre US$ 175 e US$ 185 bilhões em despesas de capital em 2026, aproximadamente o dobro do desembolso de 2025. Os gastos são majoritariamente para equipamentos e infraestrutura de IA.

Uma onda recorde de investimentos em IA foi anunciada por grandes empresas de tecnologia este ano. Durante a divulgação de seus resultados na semana passada, a Amazon informou que gastará US$ 200 bilhões somente em 2025. Um porta-voz do Google se recusou a comentar as "rumores" sobre as negociações com a Bolt.