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Casper Frank Møller, 28, CEO e cofundador da empresa de turismo Raw Arctic, baseada em Nuuk, capital da Groenlândia, afirma que o interesse do ex-presidente dos EUA Donald Trump em adquirir o território gerou um rápido aumento na procura por viagens à ilha no início de 2025. A atenção internacional colocou o destino "no mapa mundial", segundo o empresário, beneficiando inicialmente os negócios locais.

No entanto, Møller expressa preocupação com as consequências da instabilidade geopolítica, citando a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela como exemplo. "Há muito mais poder por trás das palavras de Trump, o que criou preocupações não apenas entre as pessoas na Groenlândia, mas na ordem mundial", declarou o CEO em entrevista ao Business Insider. Ele relata que cerca de 20 a 30 clientes potenciais colocaram planos de viagem "em espera" após o evento, aguardando maior estabilidade antes de confirmarem investimentos que podem chegar a 20 mil libras (cerca de 26 mil dólares) por dia.

Mercado de turismo de alto valor e desafios logísticos

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A Raw Arctic, fundada em 2024 por Møller e seus sócios Isak e um terceiro cofundador, optou por se diferenciar no competitivo mercado turístico groenlandês oferecendo pacotes caros e personalizados para um público aventureiro. A empresa atua tanto como operadora direta quanto como agente, parceira de dezenas de guias e operadores locais em assentamentos costeiros remotos.

"O turismo não deve ser centralizado na capital. As pessoas que vivem nessas áreas remotas são as melhores em mostrar suas regiões, sua natureza e seu modo de vida. Dar-lhes voz e oportunidade é uma de nossas missões centrais", explicou Møller. A logística, no entanto, é um desafio: o acesso entre cidades só é possível por mar ou ar, com o aluguel de um pequeno barco custando pelo menos 200 libras (270 dólares) por hora.

Independência e identidade em meio à pressão externa

Para Møller, a situação com os EUA provocou sentimentos contraditórios. "Sou um cara relativamente jovem, e este é o meu futuro. É o meu tempo que está em jogo", disse. Apesar da preocupação, ele acredita que uma aquisição americana é um risco grande demais para as relações nacionais e improvável de acontecer.

O empresário observa que o interesse externo pode estar unindo a Groenlândia internamente. Ele relembra que, há cerca de um ano, o território parecia mais polarizado após eleições gerais, com debates sobre o ritmo da independência da Dinamarca. "O que estou vendo agora com o interesse de Trump pela ilha é uma Groenlândia menos polarizada. Nós não queremos ser americanos. Não queremos ser dinamarqueses. Queremos ser groenlandeses. A questão é apenas: quando devemos cortar os laços?", questionou.

Møller destaca que a independência tem duas dimensões: a cultural, que ele acredita estar sendo alcançada, e a econômica. A Groenlândia recebe anualmente cerca de 4 bilhões de coroas dinamarquesas (628 milhões de dólares) em um subsídio dinamarquês que estabiliza a economia local, um apoio que seria perdido com uma separação abrupta.

Impacto econômico direto e futuro incerto

Geopoliticamente, questões de grande escala geralmente têm grandes consequências para o turismo e para como as pessoas gastam seu dinheiro, um efeito sentido diretamente pela Raw Arctic. "Algumas pessoas estão gastando suas economias em uma viagem única na vida para vir aqui. Então, quando há instabilidade geopolítica, as pessoas se tornam mais conservadoras com seu dinheiro", analisou o CEO.

Apesar das incertezas, a empresa tem conseguido crescer, investindo em novos barcos, marketing e soluções digitais. O futuro, contudo, permanece ligado às tensões internacionais e ao delicado equilíbrio entre a busca por autonomia groenlandesa e as realidades econômicas e geopolíticas globais.