As tradicionais reuniões de happy hour após o expediente estão sendo substituídas por atividades físicas e experiências de bem-estar nas empresas. A mudança reflete uma tendência de funcionários que bebem menos, têm agendas híbridas variadas e buscam conexões mais autênticas no ambiente de trabalho.
Empresas estão investindo em alternativas como aulas de pilates, caminhadas em grupo, partidas de pickleball e sessões em salas de raiva (rage rooms) para promover o entrosamento. A transformação visa otimizar o tempo pós-expediente e fomentar relacionamentos mais profundos entre os colegas.
Do Bar ao Estúdio de Fitness
Bethany Mascena, diretora de lançamento de franquias de uma empresa totalmente remota, relatou que a cultura social de sua companhia migrou do "lobby social club" com bebidas para encontros matinais. Colaboradores se reúnem às 6h para caminhadas ou corridas de 4,8 km, atividade que atrai pessoas de diferentes cargos, de diretores a apoio administrativo.
"É uma oportunidade de caminhar, conversar e se conectar de uma forma diferente do happy hour", disse Mascena. Kayla Merchant, gerente de compliance de 39 anos, vivenciou uma dinâmica similar há 15 anos, quando sua antiga firma de advocacia oferecia aulas de exercícios com um personal trainer. Ela mantém amizades com colegas daquela época até hoje.
Demanda Corporativa Impulsiona Negócios
Estúdios de fitness como Barry's e F45 registraram um aumento significativo nos eventos corporativos. Barry's teve um crescimento de 55% no negócio de eventos e reservas corporativas em comparação com o ano anterior. A F45 passou de uma média de um evento fitness corporativo por mês para até quatro.
O pickleball se tornou uma das modalidades preferidas. A CityPickle, que em breve operará 25 quadras em Nova York, informou que a maioria de suas mais de 2.000 reservas em 2025 foram corporativas. Eventos de empresas, integração de equipe e encontros com clientes se tornaram um grande gerador de receita, impulsionando a abertura de uma nova unidade flagship na Times Square em fevereiro.
O espaço de 3.400 m² inclui sete quadras, um bar e restaurante, áreas para eventos e cabines telefônicas para coworking. Mary Cannon, cofundadora da CityPickle, afirmou que o happy hour não morreu, mas "evoluiu", com empresas escolhendo cada vez mais locais que oferecem mais do que apenas um bar.
Experiências Extremas e Conexão Autêntica
Locais como o Break Bar NYC, que tem um extenso menu não alcoólico, permitem que os colegas de trabalho finalizem seus encontros arremessando copos contra uma parede, às vezes com uma foto anexada. Tom Daly, proprietário do estabelecimento, disse que recebe indivíduos, grupos pós-expediente, pequenas equipes e compras corporativas integrais.
Myles Farmer, cofundador do estúdio de imersão no frio e sauna Othership, afirmou que, à medida que as pessoas se afastam da socialização centrada apenas no álcool, os trabalhadores buscam maneiras de se conectar de forma mais "autêntica". A Othership atrai principalmente profissionais entre 25 e 45 anos das áreas de finanças, direito e medicina, e tem visto uma "enorme demanda" por eventos corporativos.
"Fornece comunidade e conexão, e então eles estão de volta à cidade e ao trabalho", disse Farmer, acrescentando que o local até se tornou um espaço para reuniões de trabalho.
Impacto nas Relações Profissionais e Pessoais
Candice Pokk, consultora sênior de eficácia organizacional da Segal, observou um maior interesse por eventos presenciais. "Funcionários mais jovens estão desejando experiências e não apenas brindes", disse ela, destacando que as organizações estão investindo em experiências compartilhadas únicas em vez de apenas oferecer benefícios como assinaturas de academias.
Essas alternativas podem fomentar conexões reais e duradouras. Julia Bonacini, profissional de finanças imobiliárias comerciais de 30 anos, fez amizade com colegas através de aulas de Corepower e caminhadas. Um relacionamento romântico até surgiu a partir dessas atividades, após um colega convidá-la para uma trilha e uma aula de ioga.
O movimento sinaliza uma redefinição da cultura corporativa, onde o bem-estar e experiências compartilhadas estão se tornando o novo padrão para a construção de equipes e relacionamentos profissionais significativos.