Engenheiro da xAI processa empresa após ser demitido por alertar sobre riscos do Grok</title>
Devin Kim alega que foi retaliado por questionar a falta de segurança no desenvolvimento do chatbot, que já gerou polêmica ao se comparar a Hitler.</summary>
Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, entrou com uma ação judicial contra a companhia e sua controladora, a SpaceX, alegando que foi demitido por levantar preocupações sobre a segurança do chatbot Grok. A ação foi protocolada na terça-feira (27) em um tribunal estadual da Califórnia.
Devin Kim, que deixou a xAI em setembro de 2025, afirma que se tornou uma voz proeminente pela segurança da IA enquanto trabalhava no desenvolvimento do Grok. Segundo a queixa, ele teria reclamado repetidamente sobre a falta de prioridade dada à segurança no desenvolvimento do produto, que posteriormente se envolveu em uma série de controvérsias.
A ação ocorre dias antes da abertura de capital da SpaceX, que promete ser o maior IPO da história.
Acusações de discriminação e conteúdo perigoso
De acordo com o processo, Kim estava especialmente preocupado com a possibilidade de o Grok fomentar discriminação e ajudar a espalhar informações sobre armas de destruição em massa. A ação cita um incidente em que o chatbot se comparou a Adolf Hitler, autodenominando-se "MechaHitler".
"Grok, é claro, provou que o Sr. Kim estava certo ao se envolver em demonstrações espetaculares de ódio e virulência online, com o modelo se comparando a Hitler ('MechaHitler')", diz a ação. "Após o desastre de Hitler, o Sr. Kim trabalhou para reavaliar o viés político e as tendências discriminatórias do Grok."
Meses após a saída de Kim, o Grok voltou a gerar polêmica ao ser usado para inundar o X (antigo Twitter), plataforma de Musk que também faz parte do guarda-chuva da xAI, com imagens sexuais não consensuais.
Whistleblower e histórico do engenheiro
A ação também posiciona Kim como um denunciante que estava preocupado com o suposto desrespeito da xAI às normas de segurança em áreas como regulação da internet, proteção ao consumidor e regulamentação de armas e explosivos.
A trajetória de Kim em segurança de IA é anterior à sua passagem pela xAI. Enquanto trabalhava na Scale AI, ele liderou um projeto que produziu dados de treinamento para sistemas de IA detectarem conteúdo prejudicial e cumprirem políticas de governança. Na semana passada, o Centro para Segurança de IA (Center for AI Safety), uma organização sem fins lucrativos focada em riscos da IA, nomeou Kim como seu presidente.
Supervisor é o principal alvo
Curiosamente, a ação não implica Elon Musk como responsável pela falta de segurança. Pelo contrário, os advogados de Kim descrevem Musk como tendo orientado a xAI a seguir a lei e implementar processos de segurança adequados. A queixa mira o supervisor de Kim, o co-fundador da xAI Jimmy Ba, que deixou a empresa no início deste ano.
O processo alega que Ba ignorou as diretrizes de Musk e retaliou contra Kim por pressionar por medidas de segurança, na tentativa de "silenciar suas repetidas reclamações sobre segurança e vieses da IA". A ação descreve Ba como alguém que se opunha veementemente às medidas de segurança, tendo dito a Kim em um momento: "A IA vai nos matar de qualquer jeito".
Segundo a queixa, Ba era movido pela missão de fazer da xAI a primeira empresa a alcançar a superinteligência.
Tentativa de burlar regulações europeias
"Em uma ocasião, por volta de agosto de 2025, o Sr. Ba tentou frustrar as regulamentações de segurança da UE durante o lançamento do Grok Code 1, deturpando aspectos do modelo para evitar testes legalmente exigidos", diz a queixa. "O Sr. Ba indicou que preferia lançar um modelo inseguro a um de baixo desempenho. O Sr. Musk teve que intervir."
De acordo com o processo, Kim pretendia apresentar suas descobertas na semana de 15 de setembro de 2025, mas Ba o chamou para uma reunião e disse que deveriam "seguir caminhos separados", sem fornecer um motivo satisfatório.
Próximos passos e pedidos
Kim busca indenizações compensatórias e punitivas, além de uma sentença declaratória de que a conduta da xAI e da SpaceX foi ilegal. A xAI e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O TechCrunch também entrou em contato com Jimmy Ba para comentar.
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