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O cenário para entrevistas de emprego na área de tecnologia da informação passou por uma transformação significativa com a popularização da inteligência artificial. Akaash Vishal Hazarika, engenheiro de software sênior de 29 anos com passagem por Google, Amazon e Salesforce, relata que habilidades em prompt engineering e integração de sistemas de IA tornaram-se diferenciais obrigatórios, complementando os conhecimentos tradicionais em estruturas de dados e algoritmos.

As empresas, especialmente startups, agora esperam que os candidatos utilizem ferramentas de IA para aumentar a produtividade na codificação, revisão e design de sistemas. Em entrevistas recentes, Hazarika testemunhou a permissão explícita para o uso de assistentes de IA em modo de compartilhamento de tela ao vivo, uma prática que se tornou um novo parâmetro de avaliação.

Falha por não usar IA vira lição

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Em um caso emblemático durante um processo seletivo em 2024 para uma startup do Vale do Silício, Hazarika recebeu um arquivo de código extenso com a tarefa de depurar um comportamento problemático. Os entrevistadores autorizaram o uso de assistência de IA, mas o candidato optou por resolver o problema sozinho. "Acabei gastando muito tempo no problema sem sucesso. Fui reprovado naquela entrevista. Isso foi um alerta para mim sobre o novo papel da IA nesta área", conta Hazarika.

Atualmente, as empresas fornecem acesso a uma base de código pequena e esperam a entrega de uma funcionalidade em cerca de uma hora – um prazo considerado impossível de cumprir sem o auxílio de ferramentas de IA.

Novas habilidades no radar dos recrutadores

Além das competências fundamentais, os entrevistadores agora avaliam a capacidade dos candidatos em integrar a IA em fluxos de trabalho existentes e em tomar decisões sobre quando usar soluções tradicionais versus baseadas em IA. Perguntas sobre o ciclo de vida do modelo em termos de infraestrutura e as compensações (trade-offs) entre diferentes abordagens tornaram-se comuns.

Questões comportamentais também evoluíram, incluindo tópicos como avaliação do uso de IA para melhorar fluxos de trabalho e o equilíbrio entre automação e supervisão manual. Para Hazarika, a posição ideal no mercado atual é a do "engenheiro híbrido", que atua como uma ponte entre a codificação pura e a engenharia de prompts.

Preparação para novos e veteranos

Para recém-formados, Hazarika recomenda contribuir para projetos de código aberto relacionados a IA no GitHub, demonstrando capacidade de navegar em bases de código de produção. Incluir um README que explique a racionalidade das decisões e implantar projetos na nuvem – utilizando créditos gratuitos para estudantes – são diferenciais importantes.

Engenheiros experientes devem focar em combinar anos de expertise com habilidades impressionantes em IA. Identificar fluxos de trabalho manuais no emprego atual e usar a IA para torná-los mais eficientes é uma estratégia valiosa. A compreensão das compensações entre usar uma API de terceiros versus uma de código aberto ajustada para necessidades específicas do negócio é crucial.

Hazarika enfatiza que, independentemente da experiência, os profissionais devem manter a curiosidade sobre novas tecnologias e agentes de IA disponíveis no mercado, sem abandonar as abordagens fundamentais de engenharia. "A compreensão híbrida dessas tecnologias é o que torna você valioso", conclui.