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A esposa do presidente venezuelano, Cilia Flores, apareceu abatida e em silêncio nas primeiras imagens divulgadas desde sua detenção ao lado de Nicolás Maduro. As fotos, feitas após a chegada do casal à Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, em Nova York, mostram Flores usando um moletom e sob forte escolta armada, sem esboçar reações. As informações são do jornal NY Post.

O casal foi detido na noite de sexta-feira por operadores da Delta Force, força especial dos Estados Unidos. Eles foram encaminhados ao Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, onde responderão a acusações de narcoterrorismo. Maduro foi visto fazendo sinais de positivo e paz enquanto deixava a base algemado.

Trajetória de poder ao lado de Maduro

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Antes de se tornar esposa de Maduro, Cilia Flores presidiu a Assembleia Nacional da Venezuela, um país com cerca de 31 milhões de habitantes, e foi considerada uma das principais articuladoras de poder do regime. O relacionamento do casal começou no início dos anos 1990, quando ambos ainda eram casados e atuavam no entorno político de Hugo Chávez.

A proximidade evoluiu para uma parceria pessoal e política. Eles ascenderam juntos dentro do movimento socialista, divorciaram-se de seus antigos parceiros e passaram a viver como um casal. A união só foi oficializada em julho de 2013, meses após Maduro assumir a Presidência, em uma cerimônia discreta descrita por ele como a formalização de uma relação já consolidada.

Influência nos bastidores do regime

A partir daí, Flores consolidou-se não apenas como primeira-dama, mas como principal conselheira e operadora política do governo. Conhecida entre apoiadores como a “Primeira Combatente”, ela exerceu influência direta em decisões jurídicas e institucionais durante o aprofundamento da crise no país.

Críticos e analistas costumavam descrevê-la como a verdadeira força nos bastidores, mais estratégica e temida do que o próprio presidente. Ex-integrantes do governo a classificam como uma articuladora reservada e implacável, com papel central na condução de temas legais e políticos.

Cargos-chave e acusações

Além da presidência do Parlamento, Flores ocupou a chefia do Ministério Público, posições que lhe garantiram influência sobre leis, processos judiciais e indicações no Judiciário venezuelano. Ao longo de sua trajetória, também enfrentou acusações de favorecer familiares e aliados em estruturas do Estado.

A detenção marca uma reviravolta simbólica para uma figura que, por décadas, esteve entre as mais influentes do sistema autoritário venezuelano. O casal agora aguarda os trâmites legais nos Estados Unidos sob custódia federal.