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Um grupo de amigos israelenses cancelou uma viagem de fim de semana planejada para um moshav (comunidade agrícola) próximo ao Mar da Galileia, em meio ao clima de tensão geopolítica e ao temor de um ataque iraniano. A decisão foi tomada coletivamente na quinta-feira (26), após semanas de hesitação e monitoramento das ameaças de conflito entre Israel, Irã e Estados Unidos.

A jornalista Miriam Sanger, que vive em Israel desde 2012, relatou o processo de indecisão do grupo, que começou a se organizar há cerca de um mês. A reserva foi feita pelo Airbnb, plataforma muito utilizada no país, e a casa alugada possuía um quarto de segurança, equipamento padrão em residências israelenses.

Decisão tomada após semanas de incerteza

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O planejamento do encontro foi marcado por adiamentos para encontrar uma data comum e, posteriormente, por dúvidas sobre a segurança de viajar. Apesar da confirmação da existência de um quarto de segurança na propriedade, os participantes ponderaram os riscos. "Meu marido está visivelmente desconfortável. Eu mesma, que em geral tenho muito menos noção do perigo do que ele, começo a imaginar o que significaria ver uma nova guerra contra o Irã começar em uma casa alugada", escreveu Sanger.

O proprietário do imóvel informou, por meio da plataforma, que reembolsaria 100% do valor em caso de um evento significativo antes do check-in. No entanto, a perspectiva de ficarem longe de casa durante um possível conflito, com estradas potencialmente perigosas e a memória da última guerra com o Irã – que durou 12 dias –, pesou na decisão final.

Rotineira tensão e o "elefante na sala"

O relato ilustra a rotina de tensão incorporada por parte da população israelense. Sanger descreve que, há pelo menos três finais de semana, as pessoas vão dormir "crentes de que seremos acordados de madrugada pelas sirenes" de alerta de mísseis, algo que não se concretizou até o momento. A questão da viagem foi citada no grupo de WhatsApp como "o elefante na sala" antes de ser discutida abertamente.

O cancelamento foi finalmente concretizado após um incidente médico com um dos amigos, que serviu como justificativa final para o adiamento. "Talvez seja melhor cancelar, pois o mundo não vai acabar e podemos programar em um momento mais tranquilo", escreveu uma das participantes, encerrando os planos.

Contexto de alerta constante

A crônica de Sanger reflete um estado de alerta constante no país, onde ameaças de retaliação entre nações são monitoradas no dia a dia. A autora, que atua como jornalista, tradutora e intérprete, finaliza o texto afirmando: "E lá vamos nós para mais um fim de semana em que fechamos os olhos na expectativa de sermos acordados pelo aiatolá. Nada como mais uma noite após a outra neste louco Oriente Médio".

A situação descrita ocorre em um período de alta tensão regional, com análises apontando para a possibilidade de escalada militar, embora nenhum ataque direto tenha sido deflagrado no fim de semana em questão.